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Feira Brasileira de Sementes aborda aspectos de inovação, comercialização e produção

Edição XXX | 03 - Mai . 2026
Equipe SEEDnews-seednews@seednews.inf.br
               A Associação dos Produtores de Sementes de Mato Grosso (Aprosmat) acaba de realizar seu evento anual conhecido como Feira Brasileira de Sementes (Febrasem), estando em sua 5ª edição. Este ano o tema foi “A Semente é o Elo” com uma programação, envolvendo palestras, painéis e networking do setor sementeiro.

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               A agenda do evento contemplou vários aspectos do agronegócio, entretanto serão destacados os mais relacionados com o ambiente sementeiro, destacando-se os painéis sobre a dinâmica do reconhecimento da propriedade intelectual nos negócios de sementes contemplando desafios e oportunidades da produção de sementes e perspectivas do futuro da comercialização. 

Perspectivas da comercialização de sementes

               O painel contou com os seguintes participantes: Frederico Barreto  (Syngenta), Francisco Soares (TMG), Júlio Cesar Poletto (GDM), Ignácio Rosasco (Stine), Marcelo Batistela (BASF), Fábio Passos (BAYER) e William Weber (Corteva), que durante duas horas, abordaram importantes aspectos do negócio de sementes no país com ênfase na soja.

               A concorrência é acirrada entre os programas de melhoramento, assim como entre os produtores de sementes. No país tem-se mais de 30 programas de melhoramento vegetal e mais de 600 produtores de sementes, que disputam a preferência do agricultor. Todos buscando ter “lucro” em seus empreendimentos o que propicia uma “saudável” disputa pela preferência do agricultor.

               O modelo de negócio de sementes no país contempla o reconhecimento do melhorista (germoplasma e biotecnologia) em que produtor de sementes licencia as novas cultivares oriundas dos programas de melhoramento pagando Royalty no caso de germoplasma e a Taxa Tecnológica (TT) no caso de biotecnologia. Isto propicia um círculo virtuoso em que todos os atores da cadeia de sementes se beneficiam.

               Neste sentido, os painelistas enfatizaram alguns aspectos que afetam os negócios de sementes como: Semente pirata, semente salva, dimensionamento de demanda superior ao efetivo, posicionamento inadequado da cultivar. Há consenso de que a semente salva, mesmo sendo contemplada em lei, é a porta de entrada da semente pirata. Esta semente mesmo pagando a TT não contempla pagamento de Royalty para o criador da cultivar.   

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               Os painelistas também destacaram que é importante diferenciar algum aspecto da semente que realmente irá beneficiar o agricultor como um padrão de qualidade (exemplo +90% de germinação), tratamento, logística, entre outros. Outro item destacado é que está sobrando semente no mercado e isto representa custo num ambiente em que as margens estão pequenas. O que não agrega valor representa custo.

               A comercialização é complexa, envolvendo dados sobre a demanda, para não sobrar semente e atender o agricultor com “sua” cultivar, logística de entrega, pagamento e tratamento de sementes. Como pode ser observado, o produtor de sementes é ator que corre mais riscos com o negócio, entretanto parece que não esta tendo o devido reconhecimento.   
          
Desafios e oportunidades da produção de sementes

               O painel contou com os doutores, Jonas Pinto, Geri Meneghello, José de Barros França Neto e Fátima Zorato, que durante duas horas abordaram os seguintes aspectos: Panorama da produção de sementes, momento da produção de sementes, maiores desafios, planejamento e execução, vigor de sementes, gargalos da produção, laboratórios de análise de sementes, tecnologias digitais, automação, monitoramento, inteligência artificial e ferramentas de análise. 

               A produção de sementes é uma “indústria a céu aberto” envolvendo alta tecnologia para minimizar os riscos da deterioração de campo, que felizmente o pais aprendeu e adota em larga escala nas diferentes regiões edafoclimáticas. Isto é evidenciado pelo crescente padrão de qualidade que os produtores de sementes utilizam. Em soja nos anos de 1970 comercializavam-se sementes de soja com no mínimo 70% de germinação, nos anos de 1980 o mínimo era de 80% e atualmente há estados do país em que o mínimo é 90% de germinação, enquanto há produtores de sementes que ofertam sua matéria prima com no mínimo 95% de germinação. 

               Os desafios, em termos de produção, foram e estão sendo vencidos por inovações tecnológicas envolvendo principalmente dessecação e colheita com colhedoras que possibilitam retirara as sementes do campo com mais umidade e posterior secagem utilizando secadores de alto desempenho. Por outro lado, as tecnologias de pós-colheita como o frio dinâmico e o estático das sementes minimizam a deterioração permitindo a manutenção da qualidade das sementes por mais tempo. 

               Em termos de avaliação da qualidade, há consenso de que o vigor das sementes é um atributo muito importante para o controlem interno das empresas, pois possui uma estreita relação com o desempenho da semente em condições adversas. Entretanto, como não existe uma padronização o mesmo não “pode” ser utilizado como base para a comercialização. Ilustra-se que o teste de envelhecimento acelerado, possui mais de 100 metodologias, envolvendo tempo de exposição, temperatura e hidratação.

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               Outro aspecto importante referente ao treinamento de pessoal que merece destaque é que o país possui instituições que estão atendendo bem o mercado quer com formação de mestres e doutores, assim como cursos de curta duração. Enfatiza-se que é comum encontrar nas empresas pessoal variando em gerações, o que requer ajustes adequado de treinamento.

               Estamos em tempo da digitalização, automação e da inteligência artificial  que pode auxiliar bastante na tomada de decisões e inclusive na condução de alguns processos, entretanto não devemos nos esquecer do básico, pois a sementes ainda é produzida no campo, beneficiada na UBS, comercializada, transportada e semeada.   

   
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Palavras do presidente - Nelson Croda

               No encerramento da Febrasem 2026, o presidente da Aprosmat, Nelson Croda, exaltou os esforços de todos que contribuíram para a realização do evento, que entregou conhecimento e fortaleceu ainda mais o segmento sementeiro nacional. Destacou também a grande participação dos obtentores de tecnologia, obtentores de germoplasma e de máquinas e equipamentos envolvidos no setor sementeiro”. Além disso, Croda enfatizou a reunião histórica de executivos das principais indústrias do setor em um debate sobre o futuro da comercialização de sementes. 

*Colaboração de Cairo Lustoza
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