O Congresso Mundial de Sementes da International Seed Federation (ISF), realizado em Lisboa, Portugal, entre os dias 18 e 20 de maio de 2026, foi um evento de grande sucesso e relevância para o setor global de sementes. Sob o tema “Ações Conjuntas, Futuros Resilientes”, o congresso reuniu mais de 1.800 delegados e convidados de 78 países diferentes, representando mais de 900 empresas e organizações.
Com isso, a ISF responde por cerca de 96% do comércio mundial de sementes, reunindo líderes empresariais, associações nacionais e regionais, formadores de políticas, pesquisadores, inovadores e demais profissionais do ramo.
Ao longo dos três dias, o programa contou com plenárias, painéis de discussão, workshops, fireside chats, uma área de exposição, trading floor e intensas oportunidades de networking.
No primeiro dia, o foco esteve na abertura oficial, no fórum da cadeia de valor entre sementes e grãos, em tendências de mercado e em sessões específicas sobre sementes tratadas e trigo híbrido.
O segundo dia trouxe debates profundos sobre edição genética de alimentos, políticas de melhoramento vegetal, biodiversidade e recursos genéticos, além de workshops práticos sobre o uso de inteligência artificial na produção de sementes.
O terceiro e último dia, batizado de “Futures Day”, incluiu um café da manhã dedicado às mulheres do setor, discussões sobre sustentabilidade além do ESG, saúde vegetal e comércio internacional em preparação para a COP30.
As discussões envolvendo o alinhamento da saúde vegetal e comércio internacional focaram na importância de sistemas de sementes inclusivos e acessíveis para pequenos agricultores, o avanço em novas técnicas de melhoramento genético e a necessidade de regras comerciais previsíveis, baseadas em ciência.
O desenvolvimento e a distribuição de sementes comerciais envolvem melhoramento genético, testes, produção e controle de qualidade, sendo essencial um comércio de sementes aberto e científico para o acesso dos agricultores e a segurança alimentar global.
As sessões enfatizaram a importância da coerência regulatória para a inovação em melhoramento de plantas, incluindo técnicas genômicas, e a necessidade de políticas que facilitem o acesso dos agricultores à inovação sem barreiras.
Dentre as principais novidades do evento, destaca-se a eleição histórica de Lorena Basso, da empresa argentina Semillas Basso, como a primeira presidente mulher da ISF em seus 102 anos de existência.
Basso, Presidente da Basso Semillas, uma empresa familiar de sementes na Argentina, possui mais de 20 anos de experiência e atua no Conselho Diretor da ISF. Basso destacou em seu discurso a relevância deste momento para ela, para as mulheres no setor de sementes e para a América Latina.
Ela homenageou as mulheres que atuam "no campo, laboratórios, empresas, associações, em liderança e, frequentemente, nos bastidores", ressaltando a necessidade de criar oportunidades para a próxima geração.
"Ser a primeira mulher na presidência da ISF é muito importante para mim", afirmou Basso. "Compartilhar este momento com uma vice-presidente o torna mais especial", disse, mencionando a eleição de Ellen Sparry, CEO da C&M Seeds, como vice-presidente, abrindo a possibilidade de que ela assuma a presidência em 2028.
Basso, ao pensar na história familiar na indústria de sementes, incluindo seu pai e avô, definiu seu legado como “trabalho árduo, respeito, comprometimento, honestidade e amor pelas sementes”. Ela encorajou a ISF a se concentrar no futuro, priorizando não só a eficiência e a ação, mas também seu propósito.
"Basso afirmou que estão aqui porque acreditam que as sementes são importantes." "Estamos aqui porque nosso trabalho impacta além do individual: nos agricultores, sistemas alimentares, inovação, resiliência climática e futuras gerações."
Além disso, a federação lançou o novo guia prático intitulado “A Practical Guide for Seed Production: Navigating Social Rights and Ethical Practices in the Seed Sector”. A estrutura voluntária visa ajudar empresas de sementes, fornecedores, produtores e associações a aprimorarem práticas trabalhistas responsáveis na cadeia de valor das sementes.
“A produção de sementes depende das pessoas — agricultores, trabalhadores, parceiros e comunidades. Seus direitos, dignidade e bem-estar são fundamentais para um setor de sementes resiliente e responsável”, afirmou Michal Keller, Secretário-Geral da ISF.
As diretrizes se baseiam em estruturas internacionais, como o Código Base da Iniciativa de Comércio Ético, as Orientações da OCDE sobre Devida Diligência para Conduta Empresarial Responsável, os Princípios das Nações Unidas sobre Empresas e Direitos Humanos e as convenções da Organização Internacional do Trabalho.
O documento aborda 12 áreas fundamentais para a produção responsável de sementes, como emprego justo, combate ao trabalho forçado e infantil, saúde, segurança, remuneração, jornada de trabalho, não discriminação, reclamações, fornecimento responsável, engajamento de fornecedores, liberdade de associação, respeito a povos indígenas e comunidades locais, e proteção ambiental.
As diretrizes são voltadas para todos os envolvidos na cadeia de valor das sementes, abrangendo empresas, pequenos produtores e trabalhadores sazonais. Elas incentivam empresas e fornecedores de sementes a adotar os princípios de acordo com seu contexto e capacidade.
“É um recurso prático”, afirmou Ben Rivoire, Diretor de Sustentabilidade da ISF. "Ele vai além de compromissos gerais, oferecendo exemplos de como a prática responsável se reflete nas operações diárias, com recomendações sobre ações a serem realizadas e evitadas." Reflete a convicção de que conscientização, capacitação e colaboração são essenciais para progresso duradouro.
“Com essas diretrizes, a ISF está dando continuidade ao excelente trabalho que muitas empresas já vêm realizando e oferecendo um caminho prático para que outras empresas e atores envolvidos na produção de sementes implementem práticas comerciais responsáveis. Dessa forma, transforma princípios compartilhados em ações práticas, ao mesmo tempo que reforça o papel da nossa federação como uma plataforma onde empresas de todos os portes podem se unir e trabalhar de forma pré-competitiva para promover objetivos comuns para o bem maior”, acrescentou Keller.
Houve ainda ênfase na colaboração público-privada para conservação de recursos genéticos vegetais e no desafio de atrair jovens talentos para o setor, valorizando especialmente as empresas familiares, pois a diversidade genética é fundamental para o melhoramento de plantas, biodiversidade, adaptação às mudanças climáticas e segurança alimentar.
O evento foi organizado em parceria com a ANSEME, associação portuguesa de sementes, e quase todas as sessões foram gravadas e estão disponíveis no canal oficial da ISF.
Diversos Brasileiros estiveram presentes no evento, representando empresas, associações e interesses do governo em geral. Como, por exemplo, Paulo Pinto (Presidente do Conselho da ABRASEM), Ronaldo Troncha (Presidente Executivo da ABRASEM), Manfred Schmid (Sócio fundador da Agrotis), Jhony Möller (Diretor Executivo da APASEM) e Mariana Barreto (Secretária Executiva da ABCSEM).