O Desafio Nacional de Máxima Produtividade de Soja se prepara para apresentar os resultados da safra 2025/26

Edição XXX | 03 - Mai . 2026
Equipe SEEDnews-seednews@seednews.inf.br
A CESB (Comitê Estratégico Soja Brasil) é uma entidade sem fins lucrativos formada por produtores, pesquisadores e profissionais do agro que trabalha para aumentar a produtividade da soja no Brasil de forma sustentável. O foco principal é o Desafio Nacional de Máxima Produtividade de Soja, que inspira os sojicultores a produzirem mais por hectare usando manejo de alto nível, tecnologia e dados auditados.

   Realizado anualmente, o Desafio Nacional de Máxima Produtividade de Soja visa reconhecer os melhores sojicultores do país nos sistemas: irrigado e sequeiro. Equipes técnicas do CESB auditam e analisam lavouras de todo o país, as quais tem a Missão de produzir mais no mesmo espaço.

   Neste ano de 2026, a 18ª edição do Desafio Nacional de Máxima Produtividade referente à safra 2025/26 já superou 5.200 inscrições, envolveu mais de 4,8 milhões de hectares e 1.061 municípios. Foram auditadas 922 áreas (13,5% a mais que no ano anterior). Os campeões da safra 25/26 ainda vão ser revelados no Fórum em 7 e 8 de julho na cidade de Indaiatuba (SP).

   É o maior encontro de quem busca soja de alta performance no Brasil. Vai reunir mais de 400 produtores, consultores e lideranças do agro para dois dias de imersão com a apresentação dos 6 cases campeões da safra 25/26 (com estratégias, manejos e decisões que fizeram a diferença).

   O CESB não é só um concurso, é uma referência nacional de manejo de alto rendimento. Eles mostram que, com as práticas certas, dá pra bater recordes mesmo em safras desafiadoras. 

Como tudo começou 

   Em 2007 a produtividade média da soja no Brasil estava estacionada e baixa, com cerca de 48,3 sacas por hectare (ou 2.800 kg/ha, segundo dados da Conab na época). Alguns produtores já conseguiam rendimentos bem mais altos, mas a média nacional não saía do lugar. Isso gerou uma pergunta que mudou tudo:  

   “Por que alguns produtores conseguem muito mais que a média e outros não?”

   A ideia nasceu de durante uma conversa descontraída (um "bate-papo de bar") entre Renato Seraphim (na época gerente de soja de uma grande empresa) e seu mentor Onydes Souza. Eles decidiram criar um conselho estratégico (um “Board de Soja”) para reunir os maiores especialistas do país e montar um plano para elevar a produtividade de forma sustentável.

   O objetivo inicial era criar uma plataforma tecnológica para chegar a 4.000 kg/ha. Mas o grupo percebeu que o problema ia muito além de uma única empresa: precisava de genética, nutrição, manejo do solo, sanidade, clima e transferência real de conhecimento para o produtor.

   Com isso, em 2008 ocorreu o lançamento do 1º Desafio Nacional de Máxima Produtividade de Soja (safra 2008/09), sendo que o campeão Claudio Lopes Nunes (do município de Primavera do Leste, MT) alcançou 82,8 sacas/ha (já um salto enorme em relação à média nacional de 48,3).

   O conceito se provou tão transformador e inovador que acabou superando as barreiras da marca corporativa. Ele ganhou tração própria e se desvinculou da empresa para se tornar uma entidade independente e de utilidade pública para toda a cadeia produtiva.

   Foi aí que o “Board” virou o Comitê Estratégico Soja Brasil (CESB) — uma entidade sem fins lucrativos, independente, focada em todo o agro brasileiro (do pequeno ao grande produtor).

   No começo tiveram que “ligar na mão” para os produtores participarem, porque era algo totalmente novo. Teve só 140 inscrições na primeira safra, mas o resultado foi tão impactante que o movimento cresceu rápido.

   Assim, o CESB nasceu com uma missão clara, elevar a produtividade média da soja no Brasil, mostrar que é possível produzir mais por hectare com rentabilidade e sustentabilidade e, compartilhar o conhecimento prático com manejo de alto nível, dados auditados e casos reais.

   O resultado foi que em menos de 20 anos, a média nacional subiu cerca de 25% (hoje na casa das 56–60 sacas/ha), e os campeões do desafio já passaram dos 138 sacas/ha. Além disso, o CESB tem o maior banco de dados técnico de soja do país e é referência mundial em produtividade.

   Resumindo: não foi um “concurso de produtividade” que surgiu do nada. Foi um movimento estratégico, idealizado por gente visionária, para resolver um problema real do agro brasileiro e transformar o potencial da soja em realidade.

Notas importantes:

  • O recorde absoluto até hoje é 138,95 sc/ha (safra 23/24, PR).
  • A média dos Top 10 das últimas edições fica acima de 120–130 sc/ha.
  • A produtividade dos campeões é mais que o dobro da média nacional brasileira (~58–60 sc/ha).
 
Médias dos Top 10 e áreas auditadas

- Média dos Top 10 das últimas 3 edições: 105,56 sc/ha.
- Em 15 anos, a média dos Top 10 saltou de ~77,8 sc/ha (2008/09, com apenas 2 produtores acima de 90 sc/ha) para patamares consistentemente acima de 120 sc/ha nos últimos anos, marca que era considerada improvável há pouco tempo.
- Média geral das áreas auditadas no CESB: ~96,3 sc/ha (mais de 50% acima da média nacional brasileira, que gira em torno de 55–62 sc/ha dependendo da safra/fonte).
- Média dos campeões CESB (últimas safras): cerca de 129 sc/ha — mais que o dobro da média nacional (~55–56 sc/ha ou ~3.300–3.500 kg/ha).

Impacto além dos campeões na sojicultura brasileira

- Redução drástica de áreas com produtividade <80 sc/ha.
- Crescimento expressivo de áreas com >90 sc/ha.
- Isso mostra que o conhecimento disseminado pelo CESB está elevando todo o patamar das lavouras participantes, não apenas os recordes isolados.

   Ao longo das 17 edições realizadas até aqui, mais de 34.000 participantes já foram registrados, envolvendo 23 estados, mais de 6.000 áreas auditadas e 4,64 milhões de hectares.

   Podemos ver que o CESB foi um dos fatores que ajudaram a puxar a evolução e a disseminação de práticas replicáveis para o crescimento da média nacional brasileira desde 2007 (~2.800 kg/ha) para ~3.500 kg/ha atualmente (+25%).

   Esses números mostram que produtividade alta não é acaso, é resultado de manejo de solo, genética, timing, nutrição e decisões técnicas consistentes. O CESB prova que é possível ir muito além da média nacional de forma rentável e sustentável, e que esses sistemas podem ser replicados em larga escala.
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