O artigo da vez aborda um assunto diverso e não específico do agronegócio, mas transversal, já que diz respeito a todos os profissionais e empresas. É algo comum, a ser observado no nosso modo de agir e se posicionar, para o qual nem sempre damos a devida atenção ou mesmo duvidamos da sua existência.
A propósito, sempre creio que a informação deve ter potencial prático, de utilidade, e o conhecimento deve estar ligado a alguma ação, pelo menos, para que contribuam na eficiência, na eficácia ou na inovação do ser humano. E, por conseguinte, na competitividade das organizações.
Faço esse preâmbulo, sobretudo, para atentarmos de que a informação e o conhecimento que temos sobre a ralação das pessoas na sociedade (inclusive as pertencentes ao agronegócio), do que valorizam e requerem, dentre outras características, não vão definir quem você é, mas pelo contrário, poderão e deverão ajudá-lo a se posicionar melhor, se adaptar mais rapidamente (sempre dentro daquilo que as possibilidades de cada um permitirem).
Controverso, mas relevante
Um desses aspectos do nosso comportamento social e que influencia a nossa existência, podendo até ditar nossos níveis de sucesso, em alguns casos, é o controverso (e muitas vezes ignorado) efeito halo, que, ao se dar a devida atenção, pode ser percebido com relativa facilidade.
O efeito halo não é um aspecto fortuito da sociedade e seus entes. É utilizado profissionalmente em várias áreas e de modos diferentes, mas tem aplicabilidade prática ou mesmo ocorre subliminarmente tanto nas áreas de recursos humanos como do marketing, principalmente.
Para que se possa compreender melhor a envergadura da sua importância, vamos exemplificar, antes de teorizar. Uma pesquisa realizada pela CarreerBuilder, em 2013, com dois mil recrutadores e profissionais da área de recursos humanos, apontou que 22% deles escolheriam, por exemplo, aquele candidato que estivesse mais bem vestido.
Alguém mais afoito já vai dizer: mas, e a capacidade técnica? Não conta? Sim, claro que é importante e provavelmente ninguém seja tão ruim nessa disputa para somente a roupa ser o suficiente. Todos chegaram lá por terem alguns atributos, mas, infelizmente, é o efeito halo se manifestando.
Resumindo, é, quando criada uma primeira impressão global sobre uma pessoa ou um produto, temos a tendência para captar as características que vão confirmar essa mesma impressão. Ou seja, num sujeito bem vestido tendemos a valorizar e potencializar as suas qualidades e competências, mais que seus defeitos.
Você precisa saber que ele existe e ponto
Isso é particularmente curioso, mas não chega a ser um espanto. A origem está na primeira guerra mundial, quando o psicólogo americano Edward Thorndikeé conduziu uma série de pesquisas sobre como os comandantes analisavam seus subordinados. Descobriu um viés muito interessante. E olha que estamos falando de sobrevivência literal, imediata, o que permite apontar a hipótese de que não seja intencional. Ele apenas ocorre e interfere nas nossas decisões. Talvez de modo insciente até.
Na pesquisa, descobriu que havia uma forte correlação entre a avaliação das aptidões dos soldados e sua aparência física, ao que, mais tarde chamou de efeito halo. De modo prático, ocorre quando um item interfere no julgamento sobre outros fatores, contaminando o resultado geral. Algo como se o soldado mais bonito ou mais forte atirasse melhor do que os outros. No nosso caso, como se a aparência no vestir garantisse as competências necessárias para a determinada função.
Ainda sobre a pesquisa da CarreerBuilder, 21% dos recrutadores escolheriam aquele que tivesse mais em comum com eles mesmos, revelando a importância que a empatia possui, reunindo ainda outros diferenciais como humor e aparência, também já endossado por várias pesquisas sobre o assunto. Ademais, a forma física também é um aspecto que apareceu e faria diferença, fato cada dia mais relevante em tempos de vida saudável.
Contudo, o que deve ficar claro é que nenhum desses aspectos, obviamente, pode servir de justificativa para discriminação, ou para a patente definição de que pessoas menos atraentes, fora do peso, baixinhas ou qualquer outra característica não relacionada à sua atividade, seja motivo de definição de competência ou capacidade.
Do ponto de vista dos gestores, elas sempre precisam ser confirmadas (os testes sérios de seleção estão aí para comprovar isso). Mas precisamos deixar a hipocrisia de lado e saber que há outros fatores, normalmente prévios (comprovados pelo efeito halo), que contribuem e interferem nas nossas escolhas.
É algo que, de certo modo, confirma o conhecido “a primeira impressão é que fica”. No marketing, por exemplo, esta técnica é utilizada como uma estratégia para melhorar a imagem de diversos produtos e posicionar determinada marca.
Ou alguém dos leitores(as) nunca comprou algo somente porque a embalagem era atraente, satisfazendo determinado julgamento prévio, sem que tivéssemos experimentado a qualidade efetiva do produto?
Os bonitos, altos e magros ganham mais