Setor de sementes aguarda com expectativa publicação das RAS

Informe publicitário

Edição XXIX | 02 - Mar . 2025
   O Ministério da Agricultura e da Pecuária (Mapa) está revisando mais de 700 sugestões apresentadas pelas Comissões de Sementes e Mudas (CSM) para a correção das Regras para Análises de Sementes (RAS).

   "Devido ao volume significativo de contribuições, ainda estamos concluindo as avaliações técnicas. O texto final da nova versão das RAS atenderá à maioria das demandas e dos interesses do setor sementeiro, especialmente dos laboratórios de análise de sementes", afirma Júlio César Garcia, gerente de Qualidade do Laboratório Oficial de Análise de Sementes Supervisor (LASO/LFDA-MG), do Mapa.

   A nova versão inclui avanços significativos, como dois novos capítulos – Análise de Misturas de Sementes e Análise de Sementes de Espécies Florestais –, além da introdução de metodologias para espécies como quinoa, chia, goiabeira e limão-cravo. Nomes científicos foram atualizados conforme a lista estabilizada da ISTA (Associação Internacional de Análise de Sementes), e análises obsoletas, como Peso Volumétrico e Teste do Embrião Excisado, foram excluídas.

   Uma das principais inovações é a disponibilização das RAS na plataforma digital WIKISDA, permitindo revisões periódicas e maior agilidade na incorporação de mudanças, alinhando-se às normas internacionais da ISTA e da AOSA (Associação de Analistas Oficiais de Sementes). “Isso facilitará a adaptação contínua às demandas do setor e fortalecerá a competitividade das sementes brasileiras no mercado global”, destaca Júlio César Garcia.

   Os capítulos que mais receberam contribuições foram os de Amostragem, Análise de Pureza, Teste de Germinação, Análise de Sementes Revestidas e Análise de Sementes de Espécies Florestais. 

   “Os laboratórios terão 90 dias após a publicação para se adequar às novas regras, período em que o Mapa oferecerá treinamentos online gratuitos”, pontua Garcia. No entanto, ele informa que ainda não foi possível incluir um capítulo sobre Vigor, por se tratar de um tema tecnicamente complexo e que não possui padrões oficiais do ministério.

   “Por precaução, preferimos recomendar temporariamente ao setor, como referência metodológica, o Manual de Vigor de Sementes da ABRATES, já que, no momento, o vigor é um padrão exclusivamente comercial. No que tange à Patologia de Sementes, adotamos o mesmo raciocínio e recomendamos o Manual de Análise Sanitária de Sementes, publicado pelo Mapa”, acrescenta o representante do ministério.

   Na avaliação do vice-presidente da Associação Brasileira de Tecnologia de Sementes (ABRATES) e pesquisador da Embrapa Soja, José Barros de França Neto, que participou das reuniões com os CSM, as RAS passaram por uma revisão completa, refletindo as mudanças ocorridas no setor nos últimos 15 anos. “As RAS vão garantir resultados uniformes em diferentes estados”, afirma França Neto.

   Para Jhonny Moller, presidente da Comissão de Sementes e Mudas do Paraná (CSM) e diretor executivo da Associação Paranaense de Produtores de Sementes (Apasem), as revisões para padronização dos métodos de análise da qualidade das sementes garantem segurança técnica e previsibilidade produtiva. Segundo ele, a expectativa agora é que as novas RAS, revisadas e adaptadas às demandas atuais, seja amplamente divulgada pelo Ministério da Agricultura, pelos CSM e pelas associações do setor. “Após o período de transição, todos os laboratórios credenciados e usuários do manual estarão preparados para implementar as novas normas e promover avanços no setor agrícola brasileiro”, conclui Moller.

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