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Nova técnica promete aprimorar a edição genética

Nova técnica promete aprimorar a edição genética

   Um novo sistema de edição genética, desenvolvido artificialmente — já comprovado em bactérias e com potencial para uso em plantas, animais e seres humanos —, supera algumas das limitações das ferramentas de edição genética atuais. A expectativa é aprimorar suas aplicações em pesquisas, no desenvolvimento de culturas agrícolas superiores ou no tratamento de doenças.

   A edição genética engloba diversas tecnologias adaptadas a partir de bactérias, como os sistemas CRISPR-Cas, que permitem aos cientistas modificar ou até desativar partes específicas do DNA ou RNA de um organismo.

   Um novo estudo descreve como cientistas combinaram componentes bacterianos que, naturalmente, não ocorrem juntos. Isso abre caminho para possibilidades de design inovadoras, que a equipe está explorando atualmente. Entre esses componentes estão enzimas guiadas por RNA, consideradas as prováveis ​​origens evolutivas dos sistemas CRISPR-Cas.

   Em uma série de experimentos distinta, porém relacionada, a equipe utilizou o conhecimento que já possuía sobre um sistema CRISPR-Cas existente para corrigir algumas de suas falhas, alcançando maior eficiência e precisão do que os métodos atuais permitem. O novo sistema aumenta a precisão na inserção do material genético, reduzindo o risco de que ele seja colocado no local errado — um problema comum em sistemas CRISPR-Cas que pode causar complicações no organismo hospedeiro.

   Enquanto métodos anteriores de edição genética permitiam alterar um único par de bases do DNA (técnica conhecida como *base editing*) ou um pequeno número deles (*prime editing*), esta nova técnica integra um grupo de tecnologias capazes de inserir segmentos inteiros de DNA para corrigir distúrbios, sem gerar complicações. Isso é fundamental, uma vez que muitas doenças envolvem trechos extensos de DNA, exigindo a alteração de grandes segmentos de uma só vez.

   Se o *base editing* permite editar uma única "letra" do código genético e o *prime editing* possibilita alterar o equivalente a algumas "palavras", a nova técnica — descrita em um estudo publicado em 1º de outubro na revista *Molecular Cell* — é capaz de substituir uma "frase" ou um "parágrafo" inteiro.

   "É possível programá-lo para inserir um grande bloco de DNA em um novo local, e isso tem gerado grande entusiasmo na área", afirma Joe Peters, professor de microbiologia na Faculdade de Agricultura e Ciências da Vida (CALS) e autor sênior do estudo. "Existe uma intensa competição, com diversas outras estratégias focadas justamente nessa ideia de inserir grandes segmentos de material genético." A equipe de pesquisa solicitou uma patente para a ferramenta, denominada sistema de transposição guiado por RNA.

   No estudo, a equipe utilizou elementos encontrados em bactérias — responsáveis ​​por alterar o DNA — para desenvolver, em laboratório, um novo sistema que não pertence à família CRISPR. “Combinamos componentes de naturezas muito distintas”, explicou Peters. O primeiro deles, a TldR, é uma proteína guiada por RNA que identifica o local exato no genoma onde uma carga de DNA deve ser inserida. A segunda proteína, chamada TniQ, auxilia na integração do mecanismo que insere essa carga genética, garantindo uma orientação única e uma posição precisa no genoma.

   Os pesquisadores estão testando uma ampla gama de proteínas pertencentes a uma família maior — da qual a TldR é um subgrupo — para verificar se existem outros candidatos capazes de desempenhar uma função semelhante, mas que funcionem em células humanas ou vegetais. O acesso a essa extensa família de proteínas correlatas abre um vasto leque de possibilidades de design.

   Outra vantagem da nova ferramenta é o seu tamanho, significativamente menor que o dos sistemas CRISPR-Cas. Os vírus, frequentemente utilizados para transportar sistemas de edição genética, possuem um espaço limitado para carregar material de DNA. “É preferível contar com elementos menores e com menos componentes, pois isso facilita a entrega da tecnologia de edição”, afirmou Peters. Além disso, como esses sistemas de edição derivam de bactérias, sua aplicação em células vegetais ou humanas exige componentes especializados adicionais para garantir a compatibilidade. Segundo os pesquisadores, o sistema, por ser menor, permite esse tipo de especialização.

   Entre os coautores principais estão Richard Schargel (ex-aluno de pós-graduação, Ph.D. ‘26) e Laura Chacon Machado (aluna de pós-graduação), ambos vinculados ao Departamento de Microbiologia (CALS). A lista de coautores inclui também Alba Guarné, professora de bioquímica na Universidade McGill, em Montreal, Quebec.

   O estudo contou com financiamento dos National Institutes of Health (EUA), dos Canadian Institutes of Health Research (Canadá) e da National Science Foundation (EUA).

*Esta notícia foi escrita pela Universidade de Cornell, e pode ser acessada em seu idioma original através de: https://news.cornell.edu/stories/2026/10/new-technique-holds-promise-improved-gene-editing

Assunto:Biotecnologia

Autor:Universidade de Cornell

Data de publição:21/10/2026 11:06:53

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