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Vendas de bioinsumos crescem quase dez porcento no primeiro semestre de 2026

Vendas de bioinsumos crescem quase dez porcento no primeiro semestre de 2026

   No 1º semestre de 2026, o setor de bioinsumos cresceu 9,6% em relação ao mesmo período de 2025, chegando a R$ 1,82 bilhão em valor de mercado. O avanço foi sustentado por uma área tratada de 46,2 milhões de hectares, alta de 18,3% na comparação anual. A nota da “Cropdata” associa esse crescimento à adoção dos bioinsumos dentro do Manejo Integrado de Pragas (MIP), que os combina com outras estratégias agrícolas.

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Sazonalidade

   O primeiro semestre é, em boa medida, um período de entressafra para esses produtos, o que pesa sobre as vendas de janeiro a maio. A partir de junho o ritmo se acelera, porque os produtores antecipam a compra de insumos para o plantio da soja, que na maior parte dos estados começa após o fim do vazio sanitário, em setembro. Esse calendário impulsiona sobretudo biofungicidas, bionematicidas e inoculantes, e a aceleração se estende até meados de novembro ou dezembro, encerrando o ciclo anual de vendas.

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Desempenho por segmento

Bioinseticidas. É o maior segmento: respondeu por 47% do valor vendido no semestre, com R$ 858,2 milhões (alta de 10,2% sobre os R$ 778,9 milhões de 2025). Em área tratada, teve 35% de participação, com 16,4 milhões de hectares (crescimento de apenas 1,7% sobre 16,1 milhões). São agentes de controle baseados em microrganismos vivos (bactérias, fungos e vírus) ou compostos naturais, usados contra lagartas, percevejos e outras pragas. Têm presença marcante no milho safrinha, com vendas mais fortes entre novembro e fevereiro e adoção de 35% na safra 2025/26, segundo a consultoria Blink. Nessa cultura, são ferramentas importantes contra a cigarrinha-do-milho e a lagarta-do-cartucho.

Bionematicidas. Venderam R$ 542,8 milhões e trataram 15,1 milhões de hectares, com aumentos de 11,8% em valor e 36,7% em área. São fungos ou bactérias usados contra nematoides fitoparasitas. O segmento segue em expansão, impulsionado por desafios fitossanitários e pela consolidação do manejo de solo como fator de produtividade. Na soja, a adoção é de cerca de 35% (Blink), e as vendas ganham força a partir de junho. A aplicação reduz a população e a reprodução de nematoides na região das raízes, favorecendo um sistema radicular funcional e melhor aproveitamento de água e nutrientes. No algodão, a adoção chega a cerca de 56%, ajudando a proteger o sistema produtivo. No sistema soja/algodão, também tem papel estratégico no manejo da dinâmica dos nematoides entre as culturas.

Biofungicidas. Somaram R$ 311,5 milhões e 5,4 milhões de hectares tratados. Tiveram o maior crescimento de valor do período, 19,8%. Na soja, a adoção foi de 24% na safra 2025/26 (Blink), e o uso é de proteção preventiva e complementar ao controle químico. As vendas também aceleram a partir de junho. Esses produtos, formulados com bactérias e fungos que combatem fungos patogênicos, atuam em diferentes momentos: tratamento de sementes desde a germinação, aplicação no sulco para proteger a região radicular, fase vegetativa para aumentar a tolerância da planta à pressão de doenças e aplicações foliares para proteger a superfície vegetal.

Inoculantes. Foi o único segmento a recuar em valor: R$ 107,0 milhões, queda de 21,5% em relação a 2025. Em área, porém, cresceu 38,6%, chegando a 9,4 milhões de hectares. Compostos por bactérias selecionadas, complementam a fixação de nitrogênio quando aplicados a sementes, solos ou silagens, contribuindo para o desenvolvimento das plantas, a produtividade e a eficiência nutricional. Estão associados a práticas sustentáveis por reduzirem a dependência de fertilizantes nitrogenados, e têm forte correlação com a soja, onde a adoção ultrapassa 90%. O mercado ganha tração a partir de junho, quando os produtores compram sementes e realizam o tratamento industrial de sementes (TSI).

Registros de produtos biológicos

   De janeiro a setembro de 2026, foram registrados 61 produtos biológicos. Desse total, 44 (72%) pertencem ao segmento de agentes microbiológicos, que reúne bactérias, fungos e vírus aplicados contra pragas e doenças. 

   Quanto ao tempo de aprovação, o prazo médio até agora em 2026 é de 20 meses para produtos da categoria Bio e 16 meses para Bio/Org. Em 2025, esses prazos haviam sido de 15 e 14 meses, respectivamente, ou seja, houve alongamento no tempo de registro.

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Resumo

   O semestre confirma a expansão dos bioinsumos no Brasil, com crescimento em valor e, de forma mais acentuada, em área tratada, o que sugere pressão de preços ou mudança de mix em alguns segmentos. Bioinseticidas lideram em valor, bionematicidas cresceram mais em área entre os grandes segmentos, biofungicidas tiveram o maior avanço em valor e inoculantes destoaram com queda de receita apesar da maior área. O calendário da soja deve seguir puxando as vendas no segundo semestre, enquanto o alongamento dos prazos de registro é um ponto de atenção para o setor.

Fontes e metodologia

   Os dados de registros são elaborados pela consultoria Move Analytics, com base em informações oficiais do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), e consideram apenas os registros ativos na base do Agrofit. Os dados de adoção por cultura vêm da consultoria Blink. A elaboração dos gráficos de mercado é da CropLife Brasil.

Assunto:Negócios

Autor:Equipe SEEDnews

Data de publição:30/09/2026 12:29:49

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