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Legislação de cultivares precisa acompanhar evolução tecnológica do setor de sementes

Legislação de cultivares precisa acompanhar evolução tecnológica do setor de sementes

   Setor defende modernização da Lei de Proteção de Cultivares, em vigor desde 1997, para acompanhar novas tecnologias e dar mais segurança jurídica à inovação. 

   A evolução das tecnologias no setor de sementes reforça a necessidade de modernizar a Lei de Proteção de Cultivares, em vigor desde 1997, para dar mais segurança jurídica à inovação. O tema foi debatido durante o XXIII Congresso Brasileiro de Sementes (CBSementes), em Foz do Iguaçu (PR).

   Segundo Ronaldo Troncha, presidente-executivo da Abrasem, modernizar a legislação é um processo complexo, que envolve a tramitação de projetos na Câmara e no Senado e, em alguns casos, o retorno à Casa de origem. Além disso, as mudanças precisam estar alinhadas aos acordos e às normas internacionais dos quais o Brasil participa.

   Quando se trata, porém, de atualizar uma legislação já existente, Troncha afirma que o processo pode avançar de forma mais rápida, desde que haja consenso entre os diferentes segmentos envolvidos.

   É nesse contexto que está em discussão a modernização da Lei de Proteção de Cultivares, em vigor desde 1997. “O setor vem trabalhando há cerca de três anos na análise da legislação, identificando dispositivos considerados desatualizados e avaliando propostas de modernização”, explica.

   O trabalho foi conduzido no âmbito da Abrasem e contou posteriormente com a participação do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e de representantes do Instituto Pensar Agropecuária (IPA), entre outras entidades. A proposta resultou em um texto construído a partir do diálogo entre diferentes segmentos da cadeia.

   O projeto de alteração da legislação já avançou na Câmara dos Deputados. Segundo Troncha, a proposta foi aprovada pela Comissão de Agricultura e Política Rural e atualmente tramita na Comissão de Desenvolvimento Econômico, onde aguarda a análise das emendas apresentadas ao texto do deputado Arnaldo Jardim.

   A tramitação, no entanto, enfrenta o calendário eleitoral. Com a proximidade das eleições, as atividades das comissões temáticas foram reduzidas, o que deve postergar a discussão da proposta. A expectativa do setor é que o debate seja retomado após o período eleitoral.

   Além de discutir a atualização da Lei de Proteção de Cultivares, o painel apresentou a atuação da Abrasem na construção das propostas regulatórias. A entidade reúne diferentes segmentos da cadeia, incluindo obtentores, multiplicadores e produtores de sementes, buscando construir posições que considerem os interesses de todo o setor.

   “A modernização dos marcos regulatórios é necessária para criar um ambiente mais adequado à incorporação de novas tecnologias, sem perder de vista as exigências internacionais e a segurança jurídica necessária para estimular investimentos em pesquisa e inovação”, explica o presidente-executivo.

CSMs articulam ações conjuntas parafortalecer cadeia de sementes no Brasil

   Pelo menos 15 presidentes de Comissões de Sementes e Mudas (CSMs) de diferentes estados se reuniram na manhã desta quarta-feira (26), durante o XXIII Congresso Brasileiro de Sementes (CBSementes), em Foz do Iguaçu (PR), para compartilhar experiências e discutir ações conjuntas para o fortalecimento do setor de sementes e mudas no país.

   Participaram representantes das CSMs do Paraná, Rio Grande do Sul, São Paulo, Minas Gerais, Bahia e Tocantins, entre outros estados. O encontro também permitiu uma aproximação com a Comissão de Sementes e Mudas do Rio de Janeiro, cuja existência, segundo os participantes, ainda era pouco conhecida por parte do grupo.

   Durante a reunião, os representantes receberam a informação de que o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) deverá revisar o regimento interno das comissões.

   A atualização poderá permitir adequações na organização e no funcionamento das CSMs, além de contribuir para uma atuação mais integrada e para um maior controle e acompanhamento por parte do Ministério.

   Este foi o segundo encontro das Comissões de Sementes e Mudas, organizado pela Associação Paranaense de Sementes e Mudas (Apasem), realizado durante o Congresso Brasileiro de Sementes. Segundo Jhony Möller, presidente da Apasem, o objetivo do encontro é ampliar a troca de experiências e identificar demandas que possam ser encaminhadas de forma conjunta.

   Um dos exemplos apresentados foi a discussão sobre os padrões de aveia branca forrageira e aveia granífera. “A partir de uma demanda do Sul do país, a CSM do Rio Grande do Sul criou uma subcomissão de espécies forrageiras e buscou a participação das comissões do Paraná e de Santa Catarina. Em vez de cada estado conduzir discussões separadamente, as entidades passaram a trabalhar em conjunto na construção da proposta”, explica Möller.

   Segundo ele, a mesma estratégia vem sendo adotada em relação à cultura do alho. Uma subcomissão criada no Paraná consultou outras entidades, elaborou um documento e encaminhou a proposta ao Mapa. A expectativa é retomar as discussões para apresentar uma legislação específica para a produção de sementes de alho em âmbito nacional.

   A iniciativa reúne instituições de diferentes estados e segmentos, incluindo o Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-Paraná), a Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri), a Embrapa Hortaliças, além de empresas privadas produtoras de sementes.

   Segundo o presidente da Apasem, a mobilização é necessária porque existem produtores que realizam a atividade dentro dos padrões técnicos, mas ainda não contam com uma legislação específica que contemple adequadamente determinados processos de produção. A articulação das CSMs busca, assim, organizar as demandas do setor e contribuir para o aperfeiçoamento do ambiente regulatório.

   Outro tema discutido foi a Lei de Proteção de Cultivares, que está em debate no âmbito da Associação Brasileira de Sementes e Mudas (Abrasem). “As CSMs poderão participar das discussões caso seja necessária uma manifestação do setor regulado junto aos órgãos responsáveis pela regulamentação, inclusive durante eventual processo de consulta pública”, enfatizou.

   A proposta é fortalecer a atuação conjunta das comissões estaduais para que demandas regionais possam ganhar alcance nacional. Dessa forma, as CSMs buscam consolidar um espaço permanente de diálogo, troca de experiências e construção de propostas para o desenvolvimento da cadeia de sementes e mudas no Brasil.

Assunto:Sementes

Autor:ABRATES

Data de publição:21/09/2026 11:25:29

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