Carregando...

ONU reconhece iniciativa que já coletou mais de 150 espécies de sementes nativas do Cerrado

ONU reconhece iniciativa que já coletou mais de 150 espécies de sementes nativas do Cerrado

   Com a iniciativa, sementes de mais de 150 espécies de plantas nativas do Cerrado (árvores, arbustos e gramíneas) já foram coletadas e aplicadas em campo. 

   A Organização das Nações Unidas (ONU) anunciou durante a 17ª sessão da Conferência das Partes da Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação (COP17 da UNCCD), em Ulaanbaatar, na Mongólia, o reconhecimento da iniciativa Araticum – Restauração do Cerrado Brasileiro como uma das Iniciativas de Referência da Restauração Mundial (World Restoration Flagship).

   Concedido pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) e pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) no âmbito da Década da ONU da Restauração de Ecossistemas, o reconhecimento faz do Brasil o único país, até o momento, com duas iniciativas consideradas referências mundiais em restauração.

   A Araticum é uma rede colaborativa multissetorial criada em 2020 com a meta de promover a restauração do Cerrado inclusiva e em escala, integrando a ciência formal aos conhecimentos dos povos indígenas, comunidades tradicionais e agricultores familiares para a conservação da água, do clima e da sociobiodiversidade.

   Na governança da rede desde a sua fundação, a Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia (DF) coordena o eixo de produção, sistematização e difusão de conhecimento técnico, aportando seu conhecimento em métodos de restauração, protocolos de monitoramento e diretrizes para a recuperação da vegetação nativa em pastagens degradadas e de áreas de Reserva Legal e Área de Preservação Permanente (APP) em propriedades privadas.

   “Por meio dessa atuação, a Unidade participa da cadeia de valor da restauração no Cerrado e contribui tecnicamente para agendas e políticas públicas de alcance nacional”, informa o pesquisador desse centro de pesquisa da Embrapa, Daniel Vieira, também membro da coordenação da Araticum.

A COP da Desertificação

   O Cerrado abrange mais de 2 milhões de quilômetros quadrados do território nacional e desempenha papel crucial na regulação hídrica das principais bacias hidrográficas do país, além do sequestro e estocagem de carbono. Contudo, a conversão do uso da terra e a fragmentação da vegetação já resultaram na perda de mais de 50% da vegetação nativa do Cerrado, ameaçando a biodiversidade e os serviços ecossistêmicos essenciais. Sua restauração é considerada importante para a segurança hídrica, alimentar e climática.

   Por isso, a importância do reconhecimento da ONU à iniciativa brasileira Araticum - Restauração do Cerrado Brasileiro.

Principais resultados da iniciativa Araticum (ONU Flagship)

●     Área mapeada em restauração: mais de 27.000 hectares já rastreados e monitorados continuamente por plataforma digital georreferenciada.

●     Diversidade genética e botânica: sementes de mais de 150 espécies de plantas nativas do Cerrado (árvores, arbustos e gramíneas) coletadas e aplicadas em campo.

●     Rede integrada: mais de 180 organizações mobilizadas, engajando comunidades tradicionais (geraizeiros, quilombolas e indígenas), agricultores, pesquisadores e setor privado.

●     Abrangência geográfica: ações diretas de restauração distribuídas ao longo de nove estados brasileiros.

●     Meta para 2030: alcançar 2 milhões de hectares restaurados no Cerrado, contribuindo diretamente para o compromisso nacional do Brasil de restaurar 12 milhões de hectares.

●     Impacto global: integra o grupo de 30 Iniciativas de Referência da ONU, que juntas já somam quase 20 milhões de hectares em recuperação e visam atingir 75 milhões de hectares até 2030, gerando mais de 800 mil empregos.

Cadeia socioambiental e fortalecimento das comunidades

   Além dos ganhos ambientais diretos na proteção da água e do solo, a estratégia da Araticum contribui para a estruturação da economia da restauração no campo. O processo impulsiona a cadeia produtiva local, envolvendo redes de coletores comunitários de sementes, com forte protagonismo de mulheres e jovens de povos e comunidades tradicionais, viveiristas e prestadores de serviços de monitoramento.

   "Restaurar o Cerrado vai muito além do plantio: trata-se de recompor o funcionamento e os serviços dos ecossistemas, gerando trabalho e renda, e contribuindo para resgatar a identidade para quem vive no território", destaca Vieira. Segundo o pesquisador, programas de Pagamento por Serviços Ambientais e a implementação de sistemas agroflorestais e silvipastoris com espécies nativas de valor econômico — como o araticum, o baru e o pequi — oferecem aos produtores rurais alternativas produtivas sustentáveis e rentáveis.

Projeção internacional e novos investimentos

   
Com o diploma concedido no âmbito da Década da ONU da Restauração de Ecossistemas, o progresso das ações da Araticum será acompanhado e monitorado mundialmente por meio da plataforma Framework for Ecosystem Restoration Monitoring (FERM). A visibilidade internacional abre portas para novas parcerias de cooperação científica e atração de investimentos para acelerar a restauração biológica do Cerrado.

Assunto:Sementes

Autor:EMBRAPA

Data de publição:31/08/2026 13:13:29

Compartilhar