A semente guarda a chave para o futuro da agricultura europeia

A semente guarda a chave para o futuro da agricultura europeia

   José Antonio Sobrino, Diretor-Geral Adjunto de Recursos de Produção Agrícola e do Gabinete de Variedades Vegetais do Ministério da Agricultura, Pescas e Alimentação de Espanha, confirmou durante o evento organizado pela APROSE em Segóvia que a regulamentação básica das novas técnicas genômicas (NGT) será publicada no Diário Oficial da União Europeia "em maio ou junho deste ano".

   A partir daí, o processo prevê um período de dois anos antes de as empresas poderem apresentar estas novas variedades, "quer apenas para importação, quer para cultivo e desenvolvimento na União Europeia", explicou Sobrino. Assim, o setor das sementes dispõe de um calendário bastante bem definido para que, salvo alterações de última hora, as possibilidades oferecidas por esta tecnologia para a obtenção de novas variedades possam começar a concretizar-se até 2028.

   Esta é uma oportunidade que o setor não pretende perder, tendo em conta os atuais impactos das alterações climáticas nas colheitas e as margens de lucro cada vez mais apertadas para os agricultores e agroindústrias na Europa. O chefe do Ministério da Agricultura, Pescas e Alimentação (MAPA) também se referiu à relação comercial com o Mercosul, que, em sua opinião, poderia permitir um progresso ainda mais rápido na implementação dessas soluções na Europa.

   "Os países do Mercosul são grandes exportadores de culturas de grande porte, como milho, soja e colza, e possuem vasta experiência na aplicação de inovação biotecnológica às variedades que utilizam, especialmente OGMs, mas também NGTs. Portanto, o acordo também representa uma oportunidade de transferência de conhecimento para a União Europeia, para testar o potencial dessa tecnologia", afirmou.

5489118.jpeg 588.04 KB


Inovação, a ponta de lança do setor

   O 4º Simpósio Nacional de Produtores de Sementes, organizado pela APROSE sob o lema "Semeando com Confiança para Colher com Sucesso", reuniu representantes institucionais, especialistas e empresas no Parador de Segóvia para abordar os principais desafios do setor, com foco especial em rentabilidade, inovação e sustentabilidade.

   Após 75 anos e quatro edições do Simpósio, o setor de produção de sementes transmitiu mais uma vez uma mensagem clara: o futuro da segurança alimentar começa com sementes certificadas. Essa afirmação foi confirmada por Rafael Sáez, diretor do Instituto Agrário-Tecnológico de Castela e Leão (ITACyL), que destacou a liderança da região na produção de sementes certificadas e a necessidade de fortalecer sua visibilidade por meio da colaboração público-privada como estratégia fundamental para o futuro.

5489130.jpeg 572.81 KB


   Os debates e apresentações subsequentes focaram na inovação como a ponta de lança deste setor. Luis Fuentes, técnico da ANOVE (Associação Nacional de Melhoristas de Plantas), destacou que "nos últimos 15 anos, 42% das sementes utilizadas na Espanha foram certificadas, com uma idade média de 7 anos para as variedades registradas. Uma porcentagem maior significa mais pesquisa e maior renovação de variedades", afirmou.

   Por sua vez, Óscar Lanzaco, vice-presidente da APROSE, afirmou que ainda há espaço para aumentar essa porcentagem "para mais de 50%", como já ocorre em outros países europeus, como Grécia e Itália. Em sua perspectiva, o setor de melhoramento de plantas "deve se alinhar mais do que nunca com os agricultores para chegar a um consenso sobre a gama de variedades que melhor atendam às suas necessidades".

   Valentín López, presidente da Seção de Cereais da ANOVE, comentou sobre a importância de comunicar eficazmente os benefícios das sementes certificadas aos agricultores, afirmando que "existe um déficit estrutural de comunicação em comparação com outras culturas de maior valor agregado. Talvez a transição para um novo modelo agrícola facilite essa visibilidade; é, sem dúvida, uma área em que ainda precisamos melhorar".

   López acrescentou que a Espanha, devido à sua localização geográfica, está sentindo os efeitos das mudanças climáticas mais cedo do que outros países europeus, "uma circunstância que o setor pode aproveitar para impulsionar o desenvolvimento de novas variedades mais bem adaptadas".

   Carmen Asensio, pesquisadora do ITACyL, referiu-se à baixa porcentagem de sementes certificadas utilizadas em leguminosas, "porque são culturas secundárias em rotações e, portanto, recebem menos recursos". Essa situação poderia ser revertida com maior integração entre órgãos governamentais e consórcios na cadeia agroalimentar para "acelerar e refinar" o desenvolvimento de novas variedades.

   Em relação ao papel da tecnologia, Rosa Gallardo, diretora da Cátedra de Inteligência Artificial e Agricultura da Universidade de Córdoba, argumentou que ela pode ser um veículo adequado para promover o uso de sementes certificadas, incentivando também uma "incorporação gradual, identificando os aspectos que podem gerar um retorno mais rápido para facilitar os investimentos". Gallardo enfatizou a ideia de compartilhamento de estruturas e recursos como estratégia para um acesso mais ágil a toda a tecnologia atualmente disponível para o setor.

75 Anos da APROSE

   Para marcar o 75º aniversário da APROSE, a mesa-redonda final reuniu os ex-presidentes Justo Gutiérrez, Antonio Jiménez e Juan Madrid, destacando o papel da associação como força unificadora dentro do setor. Durante a discussão, foi enfatizada a importância de gerar conhecimento, compartilhar informações e defender interesses comuns, reforçando a ideia de que "a união faz a força". O crescimento do setor e do próprio Simpósio como espaço de encontros e colaboração entre empresas também foi ressaltado.

   Juan Ángel Gutiérrez, presidente da APROSE, encerrou o dia lembrando a todos que “a semente certificada é o ponto de partida de todo o sistema de produção. O futuro começa com a semente.”

*Esta notícia foi escrita por Alejandro de Veja e publicada pela APROSE, a qual podeser acessada em seu idioma original através de: https://www.interempresas.net/Grandes-cultivos/626777-La-semilla-tiene-la-llave-del-futuro-en-la-agricultura-europea.html

Assunto:Linha Verde

Autor:APROSE

Data de publição:30/03/2026 12:16:42

Compartilhar