Descobertas as mutações genéticas que teriam possibilitado o cultivo do arroz

Descobertas as mutações genéticas que teriam possibilitado o cultivo do arroz

   Estudo publicado por uma colaboração internacional de pesquisa, com participação de instituições do Japão, Reino Unido, Mianmar e Camboja, sugere o cultivo do arroz foi possibilitado a partir de três mutações genéticas ocorridas em plantas de arroz selvagem. Essa transformação dificultou a queda de sementes da planta.

   Segundo a pesquisa, as mutações não oferecem grande efeitos se observadas individualmente, mas que, quando presentes em conjunto, permitiriam que as panículas do arroz retivessem seus grãos, tendo como resultado maiores rendimentos nas colheitas.

   Os investigadores descobriram que uma mutação causal no gene qSH3 é necessária para evitar tal queda. Na maioria das cultivares índica e japônica, as mais cultivadas no mundo, tal substituição é encontrada. Quando esta não ocorre, as plantas têm um maior índice de queda de grãos, especialmente se não estiver combinada com mutação no gene qSH4, que proporciona uma camada de abscisão necessária para que a fragmentação da semente seja inibida parcialmente.

   A descoberta foi feita por análise mecânica estrutural, que determinou a relação entre abertura e fechamento da panícula e inibição da camada de abscisão. Quando presentes as mutações em conjunto, a quebra foi suprimida e os grãos ficaram presos às panículas.

   Esse fator teria sido decisivo para influenciar os seres humanos na domesticação do arroz selvagem, pois traria um caminho para uma produção estável do cereal. Acredita-se que nossos ancestrais observaram as diferenças de forma visual, entre aquelas plantas de arroz que tinham maior rendimento, e começaram a cultivá-las, abrindo o caminho para que o arroz se tornasse uma cultura tão difundida.

   Espera-se que os resultados encontrados possam contribuir para futuras melhorias na produção orizícola, com plantas de mais fácil debulha, além do desenvolvimento de cultivares de arroz com alto rendimento, onde todos os grãos possam ser recolhidos, reduzindo o desperdício.

   Os resultados da pesquisa foram divulgados na publicação Proceedings of the National Academy of Sciences of the United States of America (PNAS), em junho deste ano.

*Com informações da Universidade de Kobe e da Fundação Altama.

Assunto:Sementes

Autor:Equipe SEEDnews

Data de publição:05/09/2022 17:58:20

Compartilhar