O setor de sementes pede maior previsibilidade para atrair investimentos na Argentina

O setor de sementes pede maior previsibilidade para atrair investimentos na Argentina

   Com um futuro promissor, as empresas de sementes na Argentina enfatizam a necessidade de "condições claras" para fomentar o desenvolvimento do setor.

   A Associação Argentina de Produtores de Sementes (ASA) acredita que a produção de sementes e o desenvolvimento tecnológico na cadeia de suprimentos local requerem maior "previsibilidade" econômica e política para facilitar o crescimento dos investimentos.

   Alfredo Paseyro, diretor executivo da Associação Argentina de Produtores de Sementes (ASA), expressou essa opinião em entrevista ao programa "Nuestra Tierra", transmitido pela Rádio Perfil AM 1190. "A cadeia de suprimentos de sementes tem as mesmas necessidades que outros setores na Argentina: previsibilidade, condições claras e incentivos para atrair investimentos para o país ou para aumentar os investimentos existentes. Muitas empresas nacionais, algumas com apenas três funcionários, estão assumindo o risco de produzir e obter licenças para vender sorgo, girassol, soja ou forrageiras", explicou.

   Portanto, Paseyro acredita que atualmente na Argentina "existem as melhores condições para o crescimento deste setor. Há muito espaço para melhorias. Outro dia, ouvi dizer que o RIGI (Regime Regional de Garantia de Investimentos) oferece condições favoráveis ​​ao investimento na região andina, e entendemos que tudo isso é o que queremos para o crescimento da Argentina. Essas são as condições que levam a maiores investimentos, com maior previsibilidade. Os produtores pedem previsibilidade, e nós, da indústria, também, porque realizamos uma atividade semelhante com maior risco e maior investimento", afirmou.

   Na cadeia produtiva de sementes argentina, segundo dados da ASA (Associação Argentina de Sementes), são gerados até 25 mil empregos diretos, além de um número semelhante de funcionários contratados durante as colheitas e nas unidades de processamento. Ele também destacou a genética das sementes argentinas: "Há estudos que indicam que a genética da soja argentina ultrapassa 40% a 45% do mercado: isso é realmente algo para se orgulhar", disse Paseyro.

   Segundo Paseyro, "existem as melhores condições para o crescimento deste setor". Ele afirmou que hoje, na indústria de sementes, tanto local quanto internacionalmente, "o conhecimento é compartilhado. Existem licenciamentos cruzados de todos os tipos, incluindo eventos biotecnológicos, licenciamento de germoplasma e edição genética, com fornecedores do método, que está começando a ser compartilhado. E você pode ter empresas com características internacionais, mas com 100% do pessoal, instalações e investimento na Argentina."

Actualidad_ASA_Cadena_Argentina_Semillas_ SITE.jpg 152.35 KB


Debate sobre Propriedade Intelectual

   Quando questionado sobre as reivindicações da indústria em relação aos direitos de propriedade intelectual e à proteção de sementes, Paseyro declarou que a indústria de sementes enfatiza a necessidade de garantir o cumprimento das "condições para a concessão de direitos de obtentor de plantas, para que uma variedade seja nova, distinta, homogênea e estável, e isso deve ser demonstrado." 

Produtores rurais preocupados com o aumento da insegurança no campo

   "Quando as empresas colocam sementes no mercado", disse ele, "elas precisam de proteção para poder exercer os direitos concedidos pelo Estado durante os anos em que foram outorgados, e é aí que temos problemas decorrentes da prática. O direito do produtor de usar suas próprias sementes não está em questão. Mas o que estamos tentando fazer é melhorar a compensação econômica por esse direito reservado, para o qual encontramos soluções em outros países. Então, sofremos com essa desordem argentina e, além disso, competimos em condições desiguais", disse Paseyro, referindo-se à impossibilidade, há décadas, de finalizar a redação de uma nova Lei de Sementes.

Perfil da indústria de sementes

   A Associação Argentina de Produtores de Sementes (ASA) foi formada há 76 anos e reúne uma gama diversificada de empresas, das quais 70% são pequenas e médias empresas dedicadas à produção, processamento e comercialização de sementes no país. Essa lista inclui empresas como Rusticana e ALZ Semillas, bem como grandes corporações como o Grupo Donmario e outras multinacionais. A associação também inclui empresas dedicadas à edição genética que atuam no setor de sementes argentino, e outras focadas no desenvolvimento de métodos para verificação da identidade varietal, como a Sumagri e a MachVision.

   "Hoje", reconheceu Paseyro, "inteligência artificial, processamento de imagens, algoritmos e previsão são ferramentas utilizadas no setor. Assim, o aprimoramento agora é feito em laboratório; antes, tudo era feito no campo, e tínhamos a imagem do pesquisador agrícola Norman Borlaug com seu chapéu e caderno. Hoje, grande parte do trabalho é feita em laboratório, com muitas informações e dados, e então vamos para o campo com muito mais precisão no que procuramos."

   Segundo o executivo da ASA, a indústria local de sementes é "uma indústria diversificada e complexa, pois possui a complexidade de qualquer negócio argentino. É também inovadora e desafiadora. Temos uma vasta gama de conhecimento: existem empresas como a Gear, Buck, Klein & Basso, que está prestes a comemorar seu centenário, e, portanto, temos uma longa história em melhoramento genético, algo que poucos países possuem, especialmente na América do Sul. Esse conhecimento provém tanto do setor público quanto do privado."

   Ele também reconheceu que as oportunidades para o desenvolvimento futuro derivam da "grande história" da produção argentina de trigo, milho, girassol, sorgo e soja. Paseyro mencionou ainda o "bom trabalho que vem sendo realizado em colaboração com o INTA" na obtenção de sementes e material genético para algodão, arroz e grão-de-bico. Paseyro observou que ainda há necessidade de focar no desenvolvimento de segmentos como o "melhoramento genético" em frutíferas, silvicultura e tabaco.

Assunto:Sementes

Autor:Diario Perfil

Data de publição:15/01/2026 11:47:50

Compartilhar