O mix de sementes é uma realidade, e sua comercialização está sendo realizada principalmente em mistura de sementes de forrageiras para cobertura no plantio direto ou sistemas de adubação verde. No caso das sementes florestais, tradicionalmente é chamado de “muvuca”. Já nas sementes de campos nativos, tem sido chamado de “entrevero”. Há poucos estudos sobre beneficiamento de sementes de forrageiras e florestais, já que são culturas de pouca expressão econômica (minor crops) e, com isso, seus estudos e equipamentos geralmente são adaptações.
Com a normatização para comercialização, por meio da Portaria MAPA nº 538/22, houve a entrada de produtores profissionalizados na comercialização de misturas de sementes e, dessa forma, a demanda e discussão sobre o tema aumentou. Nesse artigo vamos nos deter ao beneficiamento dessas sementes, mais especificadamente a operação de mistura. Como já estabelecido pela normativa, as espécies ou cultivares deverão ser produzidas e beneficiadas separadamente seguindo os padrões de comercialização já estabelecidos para essas culturas.
As operações de pré-limpeza, secagem e limpeza não terão modificações maiores do que a escolha de peneiras e regulagens adequadas. Duas operações especiais poderão ser inclusas, como o desaristamento e a escarificação, pela característica das espécies mais utilizadas para os mixes, como forrageiras e florestais.
Para espécies de gramíneas, como aveia e azevém, a fase de desaristamento pode ser necessária. Este processo remove as aristas das sementes, o que ajuda na fluidez e na plantabilidade.
No caso das leguminosas forrageiras, como trevo e ervilhaca, as sementes passam pela etapa de escarificação, que remove as estruturas protetoras das sementes que impedem a germinação, como tegumento duro ou outras camadas de proteção. A escarificação pode ser de várias maneiras, como a escarificação física e química.
Além disso, haverá no fluxograma de beneficiamento uma mesa densimétrica, permitindo a separação das sementes por massa específica, assim como uma tratadora de sementes para a inclusão de produtos químicos, como polímeros que tragam coloração distinta, já que no artigo 142 da portaria quando a mistura envolver sementes de espécies de difícil distinção entre si ou, ainda, cultivares da mesma espécie, será obrigatória a coloração de componentes de modo a permitir a distinção entre eles.
Também o incrustamento e peletização poderão ser operações interessantes para aumentar ou homogeneizar o tamanho entre as diferentes espécies, já que as peletizadas poderão ter seu tamanho semelhante as demais espécies do mix.
Mistura de Sementes (Mix) Após o beneficiamento individual de cada lote, as sementes são preparadas para a mistura, quando se deseja criar um mix de sementes de diferentes espécies, seja para plantio direto, sistemas de adubação verde, reflorestamento ou restauração em campos nativos.
A mistura deve ser realizada pensando que deverá seguir a proporção de cada componente. Cada mistura poderá ter sua composição própria, mas esta deverá ser informada, conforme as normas estabelecidas pelo Ministério da Agricultura e da Pecuária (MAPA).
É importante que o processo de mistura seja eficiente, para garantir que as sementes de cada espécie estejam distribuídas de maneira homogênea durante seu empacotamento, evitando a segregação e proporcionando uma semeadura uniforme.
Em sementes de diferentes tamanhos, deve-se ter em mente que haverá uma dispersão das partículas (sementes). A distribuição do tamanho de sementes representa as proporções delas em diferentes faixas de tamanho. Essa distribuição pode ser descrita com base em diferentes critérios, como número, área ou volume das sementes. Trata-se de um conceito estatístico que influencia diretamente as características do lote, como fluidez e transporte, por exemplo.
Durante o transporte, independentemente do tamanho da embalagem, até mesmo se for a granel, haverá separação das sementes de maior ou menor massa específica. Também durante o descarregamento na caixa da semeadora ou local de armazenamento haverá separação das sementes devido as densidades.
A mistura tem sido realizada manualmente ou por meio de tratadoras de sementes. Estes citados anteriormente não garantem que todas as espécies estejam nas mesmas proporções nas embalagens finais, já que é de conhecimento que diferentes espécies terão massas específicas distintas e com isso a mistura de diferentes densidades deve ser pensada para que seja homogênea.
Mistura é definida por um conjunto constituído por dois ou mais elementos, classificadas, no caso das sementes, como uma mistura sólido-sólido. Basicamente existem dois tipos de mecanismos de mistura de sólidos, que é a que realizamos em sementes: convecção e cisalhamento. Os dois mecanismos podem ocorrer em um único procedimento de mistura, mas o predominante e a extensão de cada um deles dependerá do tipo de misturador ou homogeneizador, as condições do processo (carga, velocidade) e as características de cada componente da mistura.
A mistura sólido-sólido por cisalhamento é um processo no qual partículas sólidas são misturadas através da ação de tombamento ou rotação de um recipiente. Esse método é frequentemente utilizado em processos industriais, como na mistura de pós ou grãos, na qual os materiais sólidos são colocados dentro de um tambor que é então inclinado ou girado. O movimento do recipiente provoca a movimentação das partículas, permitindo que elas se misturem.
No tombamento, o movimento do recipiente pode ser realizado de forma contínua ou intermitente, fazendo com que as partículas se desloquem e se misturem entre si. Um exemplo clássico de mistura por tombamento é o processo de mistura de pós, no qual o movimento de rotação garante que as partículas sólidas se misturem de maneira homogênea ao longo do tempo. Esse processo é usado em diversos setores, incluindo a indústria farmacêutica, alimentícia e de fertilizantes.
No mercado, existem máquinas para tratamento e misturas de sementes, que são geralmente utilizadas para a produção do mix desejado; há misturadores manuais e automáticos, podendo ser por ciclo contínuo ou por batelada, mas não se tem informações de máquinas desenvolvidas somente para a finalidade de mistura para o mix. Durante todo o processo de beneficiamento, o controle de qualidade deve ser rigoroso, sendo realizados testes contínuos para garantir que todas as sementes atendam aos padrões estabelecidos na Portaria MAPA nº 538/22, no qual deve se ter em mente a descrição das proporções.