
Prêmio Fundação Bunge 2026 homenageia cientistas que impulsionam a agricultura tropical sustentável e a transferência de conhecimento para a agricultura familiar
A Fundação Bunge anunciou os vencedores da edição 2026 do “Prêmio Fundação Bunge”, uma das mais tradicionais e respeitadas iniciativas de reconhecimento científico do Brasil. Criado em 1955 e inspirado no Nobel, o prêmio completa setenta anos de existência e já homenageou mais de 200 personalidades que contribuíram de forma decisiva para o avanço do conhecimento no país, entre elas Mariangela Hungria, Adalberto Luis Val, Oscar Niemeyer, Jorge Amado, Paulo Freire e Lygia Fagundes Telles.
Diferente de concursos com inscrição aberta, o Prêmio Fundação Bunge funciona por “indicação espontânea” de dirigentes de universidades e entidades científicas. Comissões técnicas independentes, formadas por especialistas nas áreas contempladas, realizam a seleção final. O reconhecimento é dividido em duas categorias: “Vida e Obra” (para trajetórias consolidadas) e “Juventude” (para jovens talentos com contribuições relevantes).
Temas da edição 2026
Para esta edição, a Fundação Bunge escolheu dois temas estratégicos para o Brasil:
- Os desafios da agricultura tropical sustentável: produção em cenários de estresse térmico e hídrico
- Inovação em processos de transferência de tecnologias e conhecimentos para a agricultura familiar
Os temas refletem desafios centrais do país: produzir alimentos de forma mais sustentável diante das mudanças climáticas e garantir que o conhecimento científico e as novas tecnologias cheguem de maneira efetiva aos produtores rurais, especialmente aos agricultores familiares.
Vencedores da categoria Vida e Obra
- Alexandre Lima Nepomuceno (tema de agricultura tropical sustentável)
Chefe-Geral do Centro Nacional de Pesquisa de Soja da Embrapa (Embrapa Soja). Agrônomo formado pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (1987), com mestrado em Fitotecnia pela mesma instituição, doutorado em Biologia Molecular e Fisiologia Vegetal pela University of Arkansas (EUA) e pós-doutorados no Japão. Atua há mais de 35 anos na Embrapa, com destaque em fisiologia vegetal, biologia molecular, tolerância à seca, edição genômica (CRISPR) e biossegurança de OGMs. Foi condecorado na categoria Juventude do mesmo prêmio há 26 anos.
- Sonia Sena Alfaia (tema de transferência de tecnologia para agricultura familiar)
Pesquisadora titular do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA) e professora de pós-graduação. Engenheira agrônoma formada pela Universidade Federal do Amazonas, com mestrado pela UFLA e doutorado na França. É referência nacional em agricultura indígena e desenvolvimento rural na Amazônia. Criou o Programa de Agricultura Indígena da Secretaria de Estado da Produção Rural do Amazonas (SEPROR), que apoia povos originários por meio do PAA Indígena, promovendo segurança alimentar, etnodesenvolvimento e escoamento da produção.
Vencedores da categoria Juventude
- Paulo Eduardo Teodoro (tema de agricultura tropical sustentável)
Professor adjunto da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), campus de Chapadão do Sul. Engenheiro agrônomo e civil, com mestrado em Agronomia e doutorado em Genética e Melhoramento pela Universidade Federal de Viçosa. Especialista em fenotipagem de alto rendimento, modelagem, sensoriamento remoto e desenvolvimento de genótipos de soja e milho tolerantes a estresses abióticos, com foco em eficiência no uso da água. Atua como editor de revistas científicas internacionais como “PLOS One”, “Agronomy Journal” e “Crop Science”.
- Raul Victor Magalhães Sousa (tema de transferência de tecnologia para agricultura familiar)
- Raul Victor Magalhães Sousa (tema de transferência de tecnologia para agricultura familiar)
Estudante de 16 anos do Ensino Médio em Tempo Integral Deputado Joaquim de Figueiredo Correia, no Ceará, e bolsista de Iniciação Científica Júnior (PIBIC Jr.) do CNPq, orientado pela Universidade Federal do Ceará. Desenvolveu um sistema que combina inteligência artificial com saberes tradicionais dos “profetas da chuva” para prever precipitação no semiárido cearense, alcançando 94,5% de precisão. Já foi vencedor nacional do Prêmio Jovem Cientista na categoria Ensino Médio (2025).
Reconhecimento e cerimônia
Os vencedores da categoria “Vida e Obra” recebem R$ 200 mil (bruto) cada, enquanto os da categoria “Juventude” recebem R$ 80 mil. A cerimônia de entrega está prevista para “setembro de 2026”, em São Paulo.
Cláudia Buzzette Calais, diretora-executiva da Fundação Bunge, destacou o significado da edição:
“As temáticas desta edição refletem dois desafios que estão no centro do desenvolvimento do Brasil. De um lado, a necessidade de produzir alimentos de forma mais sustentável diante dos impactos das mudanças climáticas... De outro, a importância de garantir que o conhecimento científico e as novas tecnologias cheguem de forma efetiva aos produtores rurais, em especial aos agricultores familiares.”
O Prêmio Fundação Bunge reafirma, mais uma vez, o papel estratégico da ciência brasileira na busca por soluções que unam produtividade, sustentabilidade e inclusão social no campo.
Assunto:Linha Verde
Autor:Equipe SEEDnews
Data de publição:09/07/2026 12:14:02








