
A Europa lança sua primeira canola geneticamente modificada
O primeiro lançamento de canola modificada geneticamente na Europa ocorreu recentemente, em janeiro de 2026, no Reino Unido, com o projeto de colza "precision-bred" (editada geneticamente), reivindicado como o primeiro desse tipo em fazendas comerciais europeias.
A canola geneticamente modificada, também conhecida como colza (Brassica napus), tem uma história complexa na Europa, marcada por regulamentações rigorosas, oposição pública e avanços tecnológicos limitados.
A canola é um cultivo importante na Europa para óleo comestível, biodiesel e ração animal, mas variedades geneticamente modificadas enfrentaram barreiras significativas.
Os primeiros testes de campo com canola GM na Europa datam do início dos anos 1990. De acordo com relatórios da Comissão Europeia, entre 1991 e 1994, a canola foi o cultivo GM dominante em notificações de liberação deliberada (field trials) na UE, representando a maioria dos experimentos. Esses testes envolviam modificações para resistência a herbicidas (como glifosato ou glufosinato) e pragas, conduzidos principalmente em países como Alemanha, França, Bélgica e Reino Unido. Por exemplo:
- Na Alemanha, mais de 300 testes com 15 variedades GM de canola ocorreram entre 1994 e 2007 em 88 locais, focando em resistência a herbicidas.
- Na França, um teste experimental de canola GM da Monsanto foi destruído por ativistas em junho de 1997, indicando que testes já estavam em andamento nos anos anteriores.
- Esses eram experimentos científicos, não lançamentos comerciais, e muitos foram monitorados por anos para avaliar persistência (algumas plantas GM sobreviveram por 13-15 anos pós-colheita, mas sem dispersão significativa).
A UE adotou uma abordagem cautelosa baseada no princípio da precaução. Em 1998, aprovou o cultivo de milho MON810 (o único cultivo GM para cultivo comercial na época), mas nunca autorizou canola GM para cultivo. Três variedades de canola GM (como GT73, MS8xRF3) foram aprovadas apenas para importação e processamento em alimentos e ração, não para plantio. Uma moratória de fato de 1999 a 2004 bloqueou novas aprovações, e em 2018, a Corte de Justiça Europeia equiparou edição genética (como CRISPR) a GMOs, sujeitando-a às mesmas regras estritas. Muitos países (como França, Alemanha e Itália) baniram até testes. Liberações não intencionais ocorreram, como em portos suíços em 2011-2012, devido a derramamento de sementes importadas, mas sem cultivo autorizado.
Até 2026, não houve lançamento comercial de canola GM na Europa. A oposição pública, destruições de testes (como em 1999-2004 na França e Alemanha) e bans nacionais impediram isso. Assim, o foco ficou em importações (a UE importa milhões de toneladas de canola GM do Canadá e EUA para ração).
Projeto LLS-ERASED
O marco histórico ocorreu em janeiro de 2026, com o lançamento do projeto LLS-ERASED (Light Leaf Spot Enhancing Resistance And reducing Susceptibility with EDiting), financiado pelo governo do Reino Unido pós-Brexit. Esse é o primeiro caso de canola editada geneticamente (precision-bred) sendo introduzida em fazendas comerciais na Europa, marcando uma transição de laboratórios para campos reais.
O projeto de três anos, no valor de £2,5 milhões (cerca de R$ 16 milhões), foi lançado em 27 de janeiro de 2026. É financiado pelo Programa de Inovação Agrícola do Departamento de Meio Ambiente, Alimentos e Assuntos Rurais (Defra) do Reino Unido, em parceria com a Innovate UK.
O foco é combater a mancha foliar clara (Light Leaf Spot, causada pelo fungo Pyrenopeziza brassicae), uma doença devastadora que causou perdas de mais de £300 milhões (R$ 1,9 bilhão) em rendimento de canola no Reino Unido em 2022. A canola é editada usando tecnologias de edição genética como CRISPR-Cas9 via o Rapid Trait Development System™ da Cibus (empresa americana). Isso cria variedades resistentes de forma precisa, simulando mutações naturais, sem inserir DNA estrangeiro (diferente de GM transgênicos clássicos). O Reino Unido, sob a Lei de Tecnologia Genética (Precision Breeding) de 2023, distingue "precision-bred" de GMOs tradicionais, permitindo comercialização sem rótulos especiais se as mudanças puderem ocorrer naturalmente.
A tecnologia pode aumentar o rendimento em até 20-30%, reduzir custos com pesticidas e apoiar metas ambientais (menos emissões, melhor biodiversidade). A canola representa 1,5 milhão de toneladas anuais no Reino Unido, mas áreas plantadas caíram 50% devido a doenças.
Se bem-sucedido, pode pavimentar o caminho para mais cultivos editados na Europa, como trigo de baixo asparagina ou batatas resistentes a pragas. A UE discute reformas para diferenciar edição genética de GMOs, potencialmente alinhando-se ao Reino Unido.
Assunto:Biotecnologia
Autor:Equipe SEEDnews
Data de publição:12/02/2026 13:14:11








