ISTA retorna a Cambridge para comemorar 100 anos de existência
A International Seed Testing Association (ISTA) completa 100 anos em 2024 e se prepara para abrir novos caminhos para o desenvolvimento da pesquisa de sementes.
Dentro das atividades do Centenário, a associação voltará a Cambridge, na Inglaterra, para se reunir novamente em 1 a 4 de Julho deste ano. O pontapé inicial já foi dado com um webinar de inauguração, cujo tema foi: “Refletindo sobre um século, abraçando o presente e traçando um rumo futuro”.
A Associação busca atrair profissionais, pesquisadores, analistas e cientistas talentosos, capazes de contribuir para o trabalho da ISTA em prol de seus países de origem, organizações e desenvolvimento de carreira pessoal.
O primeiro laboratório de análises de sementes foi criado na cidade alemã de Tharandt em maio de 1869, há 150 anos.
Em muitos períodos da história do Velho Continente, fraudes frequentes relacionadas à qualidade dos produtos agrícolas costumavam ser levadas a julgamento e decisão judicial perante a corte, normalmente apenas meses após a semeadura, prejudicando o agricultor e afetando a produção de alimentos.
Assim, o botânico Prof. Dr. Friedrich Nobbe foi motivado por tais obstáculos legislativos e comerciais, bem como pela forte pressão por alimentos, a adotar procedimentos para proteger os direitos do consumidor, garantindo a qualidade das sementes comercializadas por meio de testes previamente estabelecidos.
Em seu livro “On the necessity for control of the agricultural seed market”, publicado em maio de 1969, Friedrich Nobbe tornou-se o “pai” do controle de qualidade de sementes.
Com isto, o primeiro laboratório de sementes tinha o propósito de prestar serviços a comerciantes e produtores rurais interessados em garantir a integridade física e fisiológica de seus lotes.
Os pensamentos e a iniciativa pessoal de Nobbe lançaram as bases para o desenvolvimento do setor de sementes. Em rápida sucessão, vários laboratórios de sementes foram fundados em toda a Alemanha, Europa e ao redor do mundo.
Com a expansão da análise de sementes para outras regiões e países, Nobbe percebeu que os métodos de teste aplicados nos diferentes laboratórios precisavam ser harmonizados para que comerciantes e agricultores de diferentes regiões obtivessem resultados comparáveis. Para este trabalho de harmonização, ele convidou diversos diretores de laboratórios de teste de sementes e demais pessoas interessadas para uma primeira reunião em Graz, em 1875.
Com o passar dos anos, mais de 119 laboratórios para análises de sementes foram criados em 19 países até 1896.
Este rápido crescimento e evolução do setor puxado por empresas privadas e acompanhadas pelos governos de cada local, levou à fundação da Associação Internacional de Análise de Sementes em 1924 durante uma reunião em Cambridge (Reino Unido), o qual contou com a participação e 26 países.
Na reunião, a prioridade foi estabelecer padrões de comparação dentre os diferentes laboratórios, assim como uniformizar os termos e os métodos de análises em âmbito internacional, facilitando o comércio além das fronteiras de cada nação.
Hoje, um século depois, a ISTA conta com 150 laboratórios em 83 países no mundo, incluindo o Brasil e, pela primeira vez com um presidente asiático, o doutor Keshavulu Kunusoth, da Índia.
Nos últimos anos, a associação vem investindo continuamente em tecnologias para análises de sementes, inovações que serão incluídas nas Regras para Análise de Sementes da entidade para análise de sementes. Além disso, também tem investido em capacitação de profissionais, especialmente em regiões da Europa e América do Norte.
Atualmente, o tópico com maior volume de discussão nas reuniões da instituição está em análises de imagens para determinação de qualidade e, uso de inteligência artificial para a determinação dos resultados.
Além disso, a ISTA confirma a importância do planejamento sucessório para garantir a continuidade de seu legado. Assim, recentemente iniciou o programa Young@ISTA de apoio aos jovens, através do treinamento por meio de workshops e intercâmbio com outros laboratórios credenciados.