União Europeia aprova acordo com o Mercosul

União Europeia aprova acordo com o Mercosul

   O acordo comercial entre o Mercosul (composto por Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai) e a União Europeia (UE) é um pacto de livre comércio que vem sendo negociado há décadas e ganhou um avanço significativo recentemente. 

   Em 9 de janeiro de 2026, os embaixadores da UE aprovaram provisoriamente o acordo por maioria qualificada (representando 65% da população do bloco), superando oposições de países como França e Irlanda. 

   O objetivo principal é eliminar tarifas de importação em mais de 90% dos produtos comercializados entre as regiões, economizando cerca de 4 bilhões de euros anuais em tarifas para empresas europeias e diversificando o comércio em meio a tarifas impostas pelos EUA e dependência da China. No entanto, o acordo ainda precisa de aprovação final pelo Parlamento Europeu para entrar em vigor.

Impactos no Agronegócio

   O setor agropecuário irá ter alguns benefícios claros para o Mercosul. Abaixo, segue alguns dos pontos mais importantes:

Benefícios para o Mercosul: O acordo facilita a exportação de produtos agrícolas sul-americanos para a UE, removendo tarifas altas impostas pela Europa. Por exemplo, produtos como carne bovina, aves, açúcar, arroz, mel, soja e outros alimentos baratos do Mercosul ganharão acesso mais amplo ao mercado europeu. Isso representa uma oportunidade para produtores brasileiros e argentinos, que enfrentam tarifas elevadas na UE atualmente. Do lado oposto, o Mercosul reduzirá tarifas sobre importações europeias, como laticínios (que chegam a 28% de tarifa no Mercosul), vinhos e destilados, beneficiando exportadores da UE.

Preocupações para os produtores Europeus: Agricultores da UE temem que o influxo de importações baratas do Mercosul, produzidas sob padrões ambientais e sanitários mais flexíveis (como uso de pesticidas proibidos na Europa), desequilibre o mercado e reduza preços internos. Isso poderia ameaçar a soberania alimentar da Europa, afetar fazendas familiares e agravar problemas como despovoamento rural, altos custos de energia e burocracia excessiva. Países como França (maior produtor agrícola da UE), Polônia, Alemanha e Bélgica viram protestos massivos, com bloqueios de estradas e manifestações de tratores, alegando que o acordo favorece grandes corporações em detrimento de produtores locais.

Medidas de salvaguarda e apoio: Para mitigar impactos, a UE incluiu cláusulas de salvaguarda que permitem suspender importações de produtos agrícolas sensíveis em caso de distorções de mercado, além de controles reforçados sobre resíduos de pesticidas e um fundo de crise para agricultores. Há também promessas de redução de tarifas sobre fertilizantes importados e aceleração de apoios aos produtores. Em uma carta recente, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, prometeu acesso antecipado a 45 bilhões de euros do orçamento da Política Agrícola Comum (PAC) a partir de 2028 (dois terços do valor reservado até a revisão intermediária do orçamento 2028-2034), além de uma reserva de 6,3 bilhões de euros para perturbações de mercado. Essas medidas visam apoiar agricultores e comunidades rurais, especialmente na Itália, que apoiou o acordo após essas concessões. No entanto, críticos argumentam que essas salvaguardas são insuficientes para lidar com o "choque de importações".

Aspectos ambientais e outros: O acordo inclui compromissos com sustentabilidade, como proteções ambientais, mas opositores questionam sua efetividade, alegando que padrões mais baixos no Mercosul (ex.: desmatamento na Amazônia) poderiam minar esforços europeus. Não há detalhes específicos sobre cotas exatas no acordo final (como as históricas de 99 mil toneladas de carne bovina), mas o foco está em liberalização gradual.

   Em resumo, para o agronegócio do Mercosul, o acordo representa expansão de mercados e crescimento econômico, enquanto para a UE, é uma troca geopolítica que prioriza diversificação comercial, mas à custa de tensões no setor agrícola. Ministros da agricultura da UE estão tendo discussões para acalmar as preocupações dos agricultores do continente. 

Assunto:Negócios

Autor:Equipe SEEDnews

Data de publição:09/01/2026 13:50:54

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