Cientistas israelenses desenvolvem tomate resistente à seca

Cientistas israelenses desenvolvem tomate resistente à seca

   A nova variedade mantém o mesmo rendimento com metade da água normalmente consumida

   Pesquisadores israelenses desenvolveram uma nova variedade de tomate que é mais resistente às condições de seca e pode ajudar os agricultores a lidar com o impacto destrutivo das mudanças climáticas.

   A nova variedade pode crescer com metade da água, mantendo o mesmo rendimento, sendo ainda foi melhorada apenas por técnicas convencionais de cruzamento. O estudo surge no momento em que os preços do tomate devem sobem mais a cada dia.

   Uma análise genética aprofundada liderada por Shai Torgeman e pelo professor Dani Zamir, da Universidade Hebraica de Jerusalém, identificou interações entre duas áreas do genoma do tomate que levam ao aumento do rendimento e resistência a condições de seca.

   A nova variedade de tomate resultante, que ainda não tem nome, pode lidar com condições climáticas extremas. Os resultados do estudo foram publicados na segunda-feira no periódico Proceedings of the National Academy of Sciences dos Estados Unidos da América (PNAS).

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   “Variedades comerciais de tomate cultivadas em campo aberto e encontradas em supermercados requerem em média 317.000 galões por acre a cada safra”, diz Shai Torgeman, candidato a doutorado na Universidade Hebraica de Jerusalém, à The Media Line. “Em nosso estudo, reduzimos essa quantidade de água pela metade e obtivemos ótimos resultados.”

   Para conseguir isso, os cientistas cruzaram duas espécies de tomate, uma variedade selvagem que vem dos desertos do oeste do Peru, com uma cultivar comercial comum amplamente disponível.

   O objetivo era identificar exatamente quais partes do genoma da planta afetam seu rendimento e outras características agrícolas importantes.

   “Temos 1.500 acessos e cada um contém um segmento do genoma do tomate selvagem”, disse Michael Zilberberg, assistente de pesquisa que trabalha com Torgeman, ao The Media Line.

   “Isso nos permite ver como cada parte do genoma afeta o fruto, o crescimento da planta, seu tamanho, bem como sua resistência à seca e aos patógenos”, continuou. “Por causa desses resultados diferentes, podemos encontrar as características que são importantes para nós e descobrir de onde vieram essas características no genoma do tomate selvagem”.

   O estudo descobriu que duas áreas específicas no genoma da planta levam a um aumento de 20% a 50% no rendimento geral em condições normais e secas, sendo que o tamanho geral da planta também foi melhorado.

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   Segundo os pesquisadores, as descobertas demonstram a eficácia do uso de espécies silvestres para melhorar a produção agrícola. Eles também podem ser amplamente aplicáveis ​​a outras plantas no futuro.

   “Há aquecimento global e os agricultores precisam de tomates que possam lidar com essas mudanças nas condições climáticas”, explicou Torgeman. “O aquecimento global não apenas causa temperaturas mais altas, mas também eventos climáticos extremos, como chuvas torrenciais repentinas ou secas. Portanto, precisamos de plantas com capacidades aprimoradas.”

   A Califórnia, que produz cerca de 30% dos tomates do mundo e 95% dos tomates processados ​​dos Estados Unidos, sofre com a seca há anos, dificultando o lucro dos agricultores.

   A falta de chuva é tão severa que os preços do tomate devem subir 25% no próximo ano, disse Don Cameron, presidente do Conselho Estadual de Alimentos e Agricultura da Califórnia, à Reuters.

   Mas o tomate não é a única cultura em risco pela mudança climática; cebolas, alho e muitas outras frutas e vegetais também sofrem como resultado das más condições contínuas. De acordo com um estudo recente da revista científica Nature, os anos de 2000 a 2021 representam o período mais seco em mais de um milênio, um fator importante que contribui para o rápido aumento dos preços dos alimentos em todo o mundo.

Assunto:Linha Verde

Autor:ChileBio

Data de publição:05/04/2023 13:18:24

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