
Nigéria abre as portas para dois novos OGMs: trigo HB4 e milho TELA
O trigo argentino HB4, geneticamente modificado para ser resistente à seca, foi aprovado na Nigéria para importação pela Agência Nacional de Gestão de Biossegurança (NBMA). Além disso, o país africano quer aumentar sua produção de milho cultivando a variedade transgênica TELA, também resistente à seca.
Esse interesse renovado pela biotecnologia agrícola vem na tentativa de reduzir o alto custo dos alimentos no país africano, elevado pela escassez global devido à guerra entre Rússia e Ucrânia. Portanto, eles se concentraram em dois dos três grãos mais consumidos por 200 milhões de nigerianos: milho e trigo.
A decisão de importar o trigo HB4, da empresa Bioceres, foi tomada pela Agência Nacional de Gestão de Biossegurança (NBMA) e foi anunciada no final de julho de 2022 e terá validade de três anos, até julho de 2025 e o país espera que, apenas na safra 2022 e 2023, são importados 6,5 milhões de toneladas de grãos.
Assim, a Nigéria está entrando no "ônibus" do trigo argentino HB4 da empresa Bioceres, como já fizeram Austrália, Nova Zelândia, Brasil e Colômbia.
Deve-se notar que esta aprovação é apenas para importação de grãos para alimentação, mas não para plantio.
Milho transgênico TELA também chega à Nigéria
Esta variedade de milho, que recebe o nome da palavra latina 'Tutela', que significa "proteção", é resultado de uma aliança público-privada entre instituições como o Instituto de Pesquisa Agropecuária, a Universidade Ahmadu Bello e tem a colaboração com a Fundação Africana de Tecnologia Agrícola do Quênia e a Agência Nacional de Desenvolvimento de Biotecnologia.
O milho TELA foi geneticamente modificado para resistir a pragas como a broca do caule e ter alta tolerância à seca. Isso, a fim de melhorar a vida dos agricultores em toda a África Subsaariana. Sua aprovação ambiental para plantio foi dada em 2021.
De acordo com o jornal New Telegraph Ng, uma fase de testes com o milho TELA já começou em estados nigerianos como Adamawa, Kaduna, Kano e Jigawa, onde estão sendo distribuídos entre alguns agricultores para avaliar seu nível de aceitação.
Segundo a vice-diretora da NBMA, Rose Gidado, esse milho terá dois ciclos de testes em 2022 e 2023 antes de poder ser comercializado.
“A época de plantio está começando e esses institutos estão distribuindo as sementes para os agricultores. Eles vão plantar esse milho junto com outras variedades e, ao final da colheita, os agricultores saberão qual é a melhor semente. Por enquanto, não podemos determinar o grau de aceitação porque precisamos ter dois ciclos de testes antes de qualquer recomendação para comercializá-lo”, explicou Gidado.
Assim, a Nigéria se consolida como um dos países africanos mais abertos à tecnologia transgênica, pois além desses dois novos alimentos geneticamente melhorados, o país já comercializa feijão caupi transgênico, resistente a pragas, e há aprovação para plantar algodão Bt.
*Esta notícia foi originalmente publicada pela AgroBio e pode ser acessada em: https://agrobio.org/nigeria-trigo-hb4-maiz-tela-transgenico-resistencia-sequia
Assunto:Biotecnologia
Autor:AgroBio
Data de publição:02/08/2022 13:06:17








