A quinoa (Chenopodiun quinoa) é um alimento valioso pela qualidade das suas proteínas, conteúdo de amidos, óleos, minerais, vitaminas e outras propriedades (livre de glúten, com antioxidantes naturais e fibras dietéticas).

    A quinoa evoluiu e foi domesticada na zona andina da América do Sul em condições climáticas adversas, com períodos frequentes de seca, inundações, granizo e geadas durante os períodos de crescimento e em solos superficiais e de baixa fertilidade, em alguns casos, com altas concentrações de sal. Nessas condições, forma-se um germoplasma valioso com valor nutricional, tolerância a fatores abióticos e muito eficiente no uso de recursos hídricos e solo. Seu cultivo por centenas de anos foi realizado por pequenos agricultores, com sistemas tradicionais, garantindo autossuficiência alimentar. 

    Por outro lado, pela necessidade de diversificar e melhorar a dieta mundial e reduzir os danos à agricultura devido às mudanças climáticas, é sugerido que a quinoa seja reconhecida como alternativa, devendo-se promover seu uso e cultivo em todo o mundo. Os resultados obtidos mostram que a quinoa é alternativa para a agricultura em áreas marginais, aumentando seu cultivo em diferentes países fora do centro de origem. 


    SISTEMAS DE PRODUÇÃO

    Região Andina

    Os sistemas agrícolas de quinoa nos países andinos são diversos e específicos para cada zona de produção, desde o nível do mar até 4.000 m de altitude. Na Bolívia, no Altiplano Central e Setentrional, a quinoa é semeada principalmente no sistema convencional em rotação com outras culturas (batata, cevada, aveia). No norte do Altiplano, é cultivada principalmente em pequenas parcelas para consumo próprio, juntamente com batatas e cevada. No sul do Altiplano, é a única cultura, sendo cultivada em condições muito adversas, como secas e geadas frequentes, numa altitude de 3.750 m, com precipitação média anual de 200 mm e cerca de 200 dias de geada por ano, com rotação bianual e o uso de esterco, tornando a quinoa Real altamente valorizada pelo seu tamanho de grão. 


  


    No Peru, é cultivada nos vales interandinos, em rotação e associação com diferentes culturas, e, no Altiplano, em torno do Lago Titicaca, sob diferentes modalidades, destacando-se os “aynokas” e os “waru-warus”, com sistemas agrícolas tradicionais. A maior extensão de cultivo está localizada entre 2.500 a 4.000m de altitude. Na última década, seu cultivo foi introduzido nas “yungas” marinhas e na costa, predominantemente em sistema convencional.

    No Equador, é produzida em sistemas orgânicos, agroecológicos e convencionais  em rotação com batata, milho, ervilha, legumes e gramíneas, numa faixa de altitude entre 2.400 e 3.600 m. A produção é principalmente dedicada à exportação para os EUA e Europa.  


Nesta última década, há evidências de que a alta demanda de quinoa pelo mercado nacional e internacional e, os altos preços modificaram o cenário dos agroecossistemas tradicionais da alta área andina.


    No Chile, o cultivo de quinoa é mantido nas terras altas de Tarapacá, pela população aimará, e, na zona centro-sul, pelos Mapuches, principalmente num sistema de agricultura familiar de pequena escala. 

Na Argentina, o cultivo ocorre principalmente na região noroeste (Catamarca, Salta e Jujuy), numa diversidade de ambientes, entre 1.100 e 3.800 metros acima do nível do mar, com um sistema tradicional geralmente manual ou com pouca tecnologia. No entanto, nos últimos anos, a quinoa foi introduzida como cultura de rotação com soja  em sistema convencional. 




    Nesta última década, há evidências de que a alta demanda de quinoa pelo mercado nacional e internacional e os altos preços, modificaram o cenário dos agroecossistemas tradicionais da alta área andina. Passando dos tradicionais sistemas de cultivo de pequena escala com variedades tradicionais (misturas de genótipos), que garantem rendimentos estáveis e uma produção dedicada ao autoconsumo, a sistemas de cultivo mais extensos, em monocultivo, com predomínio de uma única variedade solicitada pelo mercado e com uma produção voltada principalmente para a venda, que gera limitações para o desenvolvimento sustentável da cultura. 


    Abastecimento de sementes

    Em 2012, a produção de sementes certificadas no Peru foi promovida como parte das atividades do Projeto Andino Sementes desenvolvendo um padrão específico para produção, certificação e comércio de sementes de quinoa, com participação de especialistas nesta cultura. Com este padrão de produção formal de sementes, há registro de 12 cultivares comerciais, identificadas com bom desempenho nas regiões costeiras e da obtenção de maiores rendimentos, até 400%, com o uso de alta tecnologia. Os sistemas de produção possuem sementes de qualidade, cultivares de grão branco, vermelho, preto e amarelo. A taxa de utilização de sementes varia de 5 a 20%. 



    Qualidade de sementes

    O INIA possui um laboratório de análise de sementes que realiza a avaliação da qualidade  dos lotes proveniente dos produtores de sementes ou das fiscalização do comércio. Nos últimos três anos agrícolas, mais de 400 amostras de sementes foram analisadas em que menos de 20% dos lotes apresentavam menos de 80% de germinação. 

    Estes dados indicam que é possível produzir sementes de quinoa de alta qualidade mesmo considerando que a maturação das sementes é desuniforme dificultando a colheita no momento mais apropriado, ou seja, próximo do ponto de maturidade fisiológica. Por outro lado, o percentual de 20% dos lotes de baixa qualidade indica que parte da semente colocada a venda ocasionará inconvenientes agronômicos ao agricultor.


    SISTEMAS DE PRODUÇÃO

    Outras regiões

    A quinoa é cultivada nos Estados Unidos, Europa, Ásia, África e Oceania de forma experimental e comercial, sua introdução para o resto do mundo só levou 30-50 anos. É cultivada principalmente usando agricultura convencional com mecanização intensiva; no entanto, há agricultores que promovem a agricultura orgânica e ecológica. Há resultados promissores, principalmente com o aumento de fertilizantes e o controle de pragas. 




    FATORES QUE LIMITAM O CULTIVO DA QUINOA

    Centro de origem

    A semeadura da quinoa em grandes áreas e outros ambientes evidenciou os seguintes problemas: 

    Variedades: com plantas muito altas, ramificadas e tardias, com alta suscetibilidade a estresses de natureza biótica (doenças, insetos e plantas daninhas), com baixa tolerância a altas temperaturas desde a formação de flores até grão pastoso.

    Tecnologia: métodos inadequados de colheita e pós-colheita. Danos nos ambientes frágeis da região andina, devido à introdução da mecanização e o aumento da superfície.


    Regiões fora do centro de origem

    Falta de variedades apropriadas: Variedades adaptadas a dias mais longos, ambientes mais úmidos e mecanização intensa. Pouca diversidade genética para desenvolver essas variedades.

    Problemas bióticos: Doenças como oídio, favorecidas pela presença de ambientes mais úmidos e a possibilidade de surgimento de novos biótipos. Suscetibilidade a outros patógenos, como nos Estados Unidos, é relatada em Passoloria dubia e Asochita spp. Novos insetos que prosperam nas plantas daninhas do gênero Cheopodium a partir de outros países, tais como Cassida nebulosa e Scrobipalpa atriplicella. Maior problema de plantas daninhas do gênero Chenopodium e Amaranthus problemático em outros países.

    Problemas ambientais: Altas temperaturas acima de 30°C nos estágios críticos de desenvolvimento e germinação de sementes na panícula, devido ao excesso de umidade e precipitação durante o amadurecimento.

    Qualidade das sementes: Dificuldade de manter a pureza genética das sementes das categorias genética e básica, devido ao aumento da polinização cruzada e altas temperaturas. A perda de germinação rápida dos grãos expostos à alta temperatura.

    Aspectos sociais e econômicos: Educação sobre o cultivo e aceite do agricultor. Garantir a disponibilidade de mercado, suporte financeiro, uma boa variedade (alto rendimento e maturidade precoce), disponibilidade de fábricas para processamento e bons preços.


    Coautores:

    Martha Ibañez Tremolada

    Enrique Aguilar Castellanos

    Rember Pinedo

    Lucía Pajuelo Cubillas

    Susana Chumbiauca Mateo

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