ALGODÃO: o ouro branco brasileiro

Edição XXII | 06 - Nov . 2018

Maria de Fátima Zorato - fatima@mfzorato.com.br

    O cultivo do algodoeiro (Gossypium hirsutum L.) é uma atividade consolidada e de grande importância econômica no país. Destaca-se entre as mais importantes culturas de fibras do mundo. De acordo com a ABRAPA, o Brasil tem se mantido, entre os cinco expressivos países produtores, como China, Índia, EUA e Paquistão, figurando entre os maiores exportadores mundiais. 


    O vindouro gigantismo do Brasil

    O presidente da Câmara Setorial do Algodão, e também da ABRAPA, Arlindo de Azevedo Moura, ressaltou que “aumentar a área plantada na cotonicultura não tem a ver com desmatamento, mas com o avanço do algodão sobre outras culturas, como a soja e o milho, dentro da matriz produtiva de cada fazenda. É uma decisão diretamente ligada a questões de mercado. O incremento de produção segue na mesma esteira, mas é intensificado pelas altas produtividades alcançadas nas lavouras do Brasil, que resultam dos investimentos em tecnologias adequadas e no manejo correto”. Tudo em sincronia perfeita: investimento, produção, clima, mercado.


    A chama do Agtech no interior do país

    AgTech é uma das próximas grandes ondas do mercado global de tecnologia, sendo um termo cunhado nos EUA para se referir às empresas de tecnologia aplicada ao agronegócio. 

    Neste sentido, a cultura do algodão despertou interesse por seu visual surpreendente em campo. Foi publicado recentemente numa revista customizada de empresa aérea, por Luiz Fernando Sá, o artigo “Um roteiro pelo Brasil que produz”, onde o autor salienta que há um universo descolado das rotas turísticas, pelo interior do Brasil, o turismo Agtech. E descreveu sobre as paisagens deslumbrantes de prosperidade cultivada e gerenciada com cuidado e sofisticação. Que é possível enxergar revoadas de drones, desfile de máquinas com computadores de bordo, sensores conectados a sistemas complexos de inteligência artificial e ainda conhecer os campos planos revestidos com um reluzente lençol natural branco, assim como, os nerds do campo, que são os que comandam esse mundo fascinante. Ou seja, o autor chamou para o despertar no âmbito de negócios, oportunidades, inovações e tecnologias que podem ser gerados pela vocação primordial do Brasil – o agronegócio. 




    Semente – insumo preponderante 

    A semente de algodoeiro é considerada, na maioria das vezes, como um subproduto, e a manifestação da qualidade fica prejudicada, propiciando danos diretos nas lavouras, resultando em desuniformidade de estande, baixo vigor de plântulas e a presença de agentes patogênicos causadores de doenças de importância econômica, fato que onera os custos do cultivo. 

    Basicamente, no processamento de sementes do algodoeiro, os capulhos são prensados, depois submetidos ao descaroçamento, deslintamento, e as sementes são classificadas por tamanho e densidade. Portanto, o algodão em caroço passa por uma série de equipamentos para obtenção das sementes e, todos eles, de alguma forma, podem provocar danificações e prejudicar o potencial fisiológico dessas sementes. 


    Dano mecânico – vilão da qualidade da semente do algodoeiro

    A danificação mecânica traz muitas consequências visíveis: as sementes apresentam-se quebradas, trincadas, fragmentadas, arranhadas e internamente danificadas. E não somente o aspecto físico é prejudicado, mas esses danos provocam maiores perdas no beneficiamento, apresentam menor vigor e germinação, e deixam as sementes mais suscetíveis ao tratamento químico e ao ataque dos microrganismos no solo. As fissuras (inchaço dos tecidos) resultam em danos ao embrião e em lixiviação de solutos, consequentemente em perda de viabilidade. As danificações interferem na qualidade, dependendo do tamanho, da profundidade e da localização do dano. Os danos causadores de maiores prejuízos situam-se, sobretudo, nas extremidades, nas regiões da radícula e da plúmula. 


    Técnicas contemporâneas para análise de danos

    A evolução preconiza melhoria contínua em processos e padronizações em atividades desenvolvidas em laboratórios de análise de sementes, para acompanhar o dinamismo da inovação tecnológica do mundo agrícola. Além dos testes habituais e rotineiros, já consagrados no sistema de controle de qualidade, está sendo utilizada, de forma abrangente, a análise de imagens computadorizadas. O uso desta ferramenta na avaliação de danos mecânicos em sementes evidencia sua eficiência e se mostra promissor, pois se trata de um método de grande precisão e não destrutivo. Ainda conta com a vantagem de eliminação do erro humano, o que torna os dados bem confiáveis comparativamente.

    A análise de imagens permite investigar de forma pormenorizada o local e a extensão dos diferentes tipos de danos ou microdanos que acontecem durante todas as operações realizadas. Visto que os danos causados por máquinas são os principais motivadores da redução na germinação e vigor em sementes de algodoeiro, a agilidade e a segurança ocasionados pelo método vem ao encontro das necessidades de empresas produtoras.

    É oportuno recordar que a semente do ouro branco brasileiro é o insumo que contribui fortemente na construção de resultados finais da produção e que colabora com o Brasil na revolução Agtech.

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