O poder do germoplasma

Equipe SEEDnews - seednews@seednews.inf.br

    O Século XX foi marcado por um desenvolvimento acelerado em todos os sentidos, seja da população global, como de conhecimento e expansão da agricultura; porém, felizmente, foi marcado pelo avanço sem precedentes da tecnologia, o qual teve um papel crucial para suprir as demandas de matéria-prima e alimentos ao redor do planeta. Sem os avanços tecnológicos alcançados nos diversos ramos industriais, a teoria de Thomas Robert Malthus (1766 – 1834), a qual pregava a escassez de recursos devido ao aumento populacional, já seria uma realidade há muito tempo.

    Na agricultura, nenhum fator foi tão importante quanto o germoplasma e a sua diversidade à disposição de cada melhorista. Segundo dados da FAO e, graças aos avanços de produtividade de cada novo cultivar disponibilizado no mercado, aliado ao desenvolvimento de outras tecnologias na agricultura, o mundo necessita de 68% a menos de terra para produzir a mesma quantidade de comida que há 50 anos. Ou seja, se em 1961 necessitávamos de um hectare, hoje necessitamos de apenas 0,32 hectare.

    Não faltam bons exemplos para elucidar este avanço na história do Brasil e do mundo. Durante a década de 1950 em diante, a agricultura mundial foi marcada pela chegada de cultivares superiores e implementação de práticas e ingredientes ativos (inseticidas, fungicidas e herbicidas) com alto impacto na eficiência de cada propriedade agrícola, fenômeno chamado de revolução verde.

    No Brasil, a adoção das práticas características da revolução verde foi um dos pilares do chamado “milagre econômico”, alavancando o país para a condição de exportador de alimentos, como a soja e o milho, os quais passaram a apresentar significativos acréscimos de produtividade. Motivado pelos resultados econômicos, o Brasil passou a instituir agências de fomento e pesquisa, como por exemplo, a Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), fundada em 1973.

    O crescimento populacional desde a década de 1960 duplicou mundialmente, subindo de 3,0 para 7,4 bilhões de pessoas entre 1961 e 2015, porém a área cultivada de cereais permaneceu praticamente inalterada. No entanto, por que não sentimos os efeitos de escassez dos grãos em nossas vidas? Isto se deve diretamente à evolução da produtividade alcançada ao longo dos anos pelos melhoristas e sua ação sob o germoplasma de cada espécie de cereal, lançando cultivares cada vez mais produtivas e eficientes.

    No caso do trigo, especificamente, é imprescindível mencionar o prêmio Nobel concedido ao agrônomo Norman Ernest Borlaug, em 1970, por reconhecimento de seus esforços desenvolvendo variedades de trigo semianãs, contribuindo para aumentar a disponibilidade de alimentos no mundo inteiro.