Petrovina Sementes

Edição XXII | 05 - Set . 2018

Equipe SEEDnews - seednews@seednews.inf.br

    A Serra da Petrovina, a 725 metros de altitude, localizada no município de Pedra Preta-MT, foi o local escolhido para o estabelecimento da empresa que é, hoje, uma das maiores produtoras de sementes de soja do país. A localização, em uma das melhores regiões para essa atividade no Brasil, também serviu de inspiração para definir o nome da empresa e foi o endereço escolhido pelo empresário Carlos Ernesto Augustin, um gaúcho de Carazinho que fincou raízes no Mato Grosso, atrás do sonho de empreender no agronegócio. 


    Estamos falando da Petrovina Sementes, fundada em 1984 e cuja trajetória é exemplo de pioneirismo na agricultura brasileira. Não à toa, a empresa tem como lema “ser o melhor e ser o primeiro”. Este conceito, empregado em todas as suas áreas de atuação, levou a Petrovina a destacar-se pela introdução de tecnologias inovadoras não só na produção de sementes, como no seu beneficiamento, acondicionamento, embalagem e armazenamento. Com a visão de obter o máximo de eficiência, primando pela busca da excelência e do crescimento ordenado, sempre conciliou tecnologia de ponta com a força empreendedora de sua equipe de colaboradores.

    A cada ano teve como meta aumentar a produção e estabelecer novas parcerias, construindo assim uma empresa sólida, respeitando o meio sócio-ambiental em que está inserida. 

    Em entrevista concedida à SEEDnews, Carlos Augustin, que é líder de classe, tendo ocupado os cargos de presidente e vice-presidente da Aprosmat e vice-presidente da Abrass, descreve os passos e conquistas da empresa em sua história de quase 35 anos.

    Segundo ele, depois de um início incipiente na atividade, dado, principalmente, às poucas variedades de soja existentes no limiar da década de 1980, época em que o arroz predominava, a produção de sementes de soja tomou novas proporções com o advento da variedade Cristalina e a Petrovina logo mostraria sua vocação para a expansão e o pioneirismo.




    Com capacidade de produção e armazenamento de 50 mil toneladas ou 1 milhão e 250 mil sacos de sementes de soja, que são certificadas pelos laboratórios Aprosmat e Pró-Sementes, em Rondonópolis-MT, a Petrovina Sementes possui um departamento comercial técnico e profissional, contando com representantes técnicos comerciais (RTCs) experientes, com atuação em todo o Centro-Oeste, no atendimento pós-venda aos clientes e realização de testes de campo para o zoneamento de novas cultivares.

    Pelo segundo ano consecutivo, a empresa comemora a marca de um milhão de sacas de soja comercializadas, considerando o referencial de 40kg/sc, embora, atualmente, opere unicamente no formato big bag.

    As vendas estão dirigidas principalmente para o estado do MT. “O MT continua sendo importador de sementes, devido à alta demanda. O estado produz somente 70% do que consome, o restante vem de fora”, justifica Augustin. Ele destaca que as 20 variedades produzidas contemplam as principais empresas obtentoras – Monsoy, Nidera, Brasmax, SoyTech e IMA. A definição das variedades multiplicadas segue os principais atributos buscados pelos clientes, que são maior produtividade, resistência a doenças e precocidade. “Procuramos oferecer um portfólio que atenda a todas as necessidades do agricultor. Obviamente, esta é uma tarefa difícil quando se produz dezenas de variedades, mas procuramos oferecer todas as variáveis possíveis”, observa. 

    Trinta por cento da produção se dão em terra própria e os 70% restantes em áreas de cooperantes – mais de 60 mil ha, distribuídos num raio de 100 km da UBS e integralmente cobertos por um sistema de assistência técnica. Uma equipe de oito agrônomos realiza trabalhos de assistência, controle e fiscalização dos campos de produção, apenas aos cooperados. 

    O presidente da empresa considera que a expansão da Petrovina e o conceito de que desfruta junto ao mercado é resultado de uma filosofia que privilegia a qualidade em todas as fases do processo produtivo. “Nosso grande salto se deu a partir da incorporação de novas áreas cultivadas e do aumento da estrutura de secagem, com a agregação de silos de alta tecnologia. Também destaco o sistema de resfriamento, compondo o que há de mais moderno na área de produção de sementes e presente em toda a linha de produção”, enfatiza.

    Todo o procedimento de coleta, pesagem e demais fases do processamento são totalmente automatizados, sem a necessidade de passar pela mão humana. Três estações de embarque, todas elas com ponte rolante, permitem fazer a montagem das cargas inclusive no turno da noite – o que faculta a capacidade de carregar 30 mil sacos por dia. Esse moderno sistema de embarque das sementes agiliza o carregamento, evitando que os caminhões fiquem na fila além do tempo hábil.

    A Petrovina Sementes conta com uma estrutura ampla para armazenagem das sementes de soja, com temperatura condicionada, conservando a máxima qualidade e potencial das sementes.  

    A sede da fazenda é composta por três escritórios para administração, duas balanças para caminhões grandes, um pátio para 100 carretas, um escritório para recepção e expedição de nota aos motoristas, cantina para refeições, alojamentos e residências para funcionários com área de lazer.

    Os canteiros de teste simulam o plantio em lavoura, demonstrando a real qualidade das sementes. O acompanhamento da germinação inicial à colheita é feito de 15 em 15 dias, até o mês de dezembro, mês em que expira o prazo de validade das sementes. “O acompanhamento começa na colheita, o número de testes passa de 25. O boletim final é feito em agosto, bem próximo da entrega, que ocorre em setembro. Como os armazéns são climatizados, é muito difícil que haja diferença do boletim da data de entrega. Porém, na entrega, coleta-se novamente por ocasião do embarque, submetendo-se a um último teste, cujo resultado é informado ao agricultor”, explica Augustin.  

    As sementes são embaladas em big-bags, num processo com capacidade para 45 toneladas/hora. A identificação dos bags e lotes são feitos com um sistema QR-Code e nomenclatura, facilitando a identificação da variedade, histórico de produção, beneficiamento e armazenagem.

    No período em que esteve à frente de associações de classe, Carlos Augustin bem que tentou implantar a exigência de um padrão mínimo de germinação nas sementes comercializadas superior ao estipulado pelo MAPA, mas admite que não teve êxito. Isto, porém, não o impediu de definir os mais exigentes padrões de qualidade das sementes comercializadas pela Petrovina. Hoje, esse referencial está presente nas duas linhas de produtos da empresa: Petrovina Tech e Petrovina Prime. 




    As Inovações 

    1- Amostragem 

    Para estabelecer uma relação de confiança com o cliente, através da padronização e segurança dos métodos de amostragem, a empresa contratou os serviços da empresa SGS (de renome internacional) para amostrar os lotes de sementes que a empresa irá comercializar pertencente a categoria S2. Segundo Carlos Augustin, todas as amostras são coletadas, acompanhadas e certificadas pela SGS e encaminhadas a um laboratório externo para o laudo de germinação. No Brasil, este procedimento é pioneiro, pois a certificação, acompanhada pelo MAPA, vai apenas até a categoria C2 e esta praticamente não é comercializada ao agricultor. Mais de 90% das sementes de soja comercializadas aos agricultores é da categoria S2.

    “As amostragens são auditadas pela SGS, que atesta se o procedimento foi correto e se a amostra enviada ao laboratório é de fato relativa ao lote que vai gerar o boletim. Então, isso tudo serve para dar mais seriedade ao processo. Cada vez mais, percebemos que o cliente tem dado valor a que o processo ocorra desta forma. A percepção da germinação está totalmente atrelada ao serviço, que significa garantia de que o agricultor vai ter a semente no momento de plantio dele, com alta qualidade e com a segurança de que está tratada com os produtos e dosagens adequadas”, comemora o empresário.


A Petrovina comercializa somente as sementes que, no laudo oficial, estão acima de 90% de germinação e 80% de vigor. O agricultor reconhece os benefícios de uma semente de alta qualidade


    2- Germinação e vigor

    A Petrovina comercializa somente as sementes que, no laudo oficial, estão acima de 90% de germinação e padrão mínimo de 80% de vigor. Em análise acompanhada pela SGS, lacrada e enviada ao laboratório: Linha TECH - 90% de germinação com padrão de 80% de vigor, em laudo de tetrazólio; Linha PRIME - 95% de germinação com 85% de vigor, em laudo de tetrazólio.

    Outros atributos estão atrelados a serviços. Por exemplo, sementes da linha TECH podem ser tratadas ou não tratadas. Já a linha PRIME é obrigatoriamente tratada e entregue na fazenda, para assegurar o padrão de 95% de germinação. Desta forma, a entrega é feita mais próximo do plantio e a semente está pronta para ser colocada no solo. 




    Diferenciais de qualidade

    5,5 milhões de sementes/bag

    As sementes são embaladas em big-bags. A unidade de medida por embalagem dispõe de sistema de contagem das sementes por amostragem. Dessa forma, os bags são embalados com um número específico de sementes – 5,5 milhões –, facilitando ao agricultor a aquisição de sementes o suficiente para atender sua lavoura.


    TSI 

    Com a visão de obter o máximo de eficiência, primando pela busca da excelência e qualidade de seus produtos, a Petrovina Sementes conciliou tecnologia de ponta e altos investimentos para fornecer ao produtor soluções sob medida, que permitem atender as mais diversas necessidades.

    O tratamento de sementes industrial (TSI) foi desenvolvido para proteger as sementes e plântulas que delas se originam na fase inicial do estabelecimento da lavoura, garantindo precisão na aplicação das doses dos produtos e uma perfeita cobertura de toda a semente.

    A estrutura conta também com dois equipamentos de tratamento industrial de sementes, possuindo um pacote completo de soluções para controle de pragas e doenças. 




    Processamento 

    As colhedoras utilizadas na colheita contam com sistema axial, minimizando os danos mecânicos, o que contribui para a qualidade das sementes.

    As sementes são processadas em máquinas de última geração, e preparadas para sistemas de plantio altamente tecnificados, atualmente disponíveis.

    Os secadores para sementes são intermitentes, proporcionando uma secagem uniforme e agilidade no fluxo de beneficiamento.

    Armazéns dotados com as mais recentes tecnologias permitem grande volume de produção e a entrega das sementes com máxima qualidade ao cliente. Destacam-se, ainda, os sistemas de controle, a logística, a utilização do frio – com equipamento Cool seed para o esfriamento dinâmico e estático das sementes, com temperaturas que variam de 13 a 15 graus – e a capacitação do pessoal, uma vez que a empresa considera os recursos humanos a base de seu crescimento e sucesso.




    Pesquisa

    “O investimento em pesquisa é constante e obrigatório para transpor as adversidades e alcançar o sucesso”, enfatiza Carlos Augustin, lembrando que a Petrovina desenvolve pesquisas particulares ou em parcerias com diversas instituições e detém vários pontos de pesquisa em todo o estado mato-grossense, para a adaptação da soja às microrregiões. 

    A Petrovina Sementes possui laboratório próprio para o controle interno da qualidade das sementes.


    Variedades

    A Petrovina produz atualmente 20 variedades com volumes comercias de sementes de soja, que se adaptam a todos os níveis de fertilidade do solo, resistência e/ou tolerância aos nematóides de cisto e galha, com ampla adaptabilidade às regiões do Centro-Oeste. Conta com uma equipe de pesquisa que realiza testes para avaliação e recomendação de novas variedades em todos os pontos estratégicos de plantio do estado do Mato Grosso. 

    A empresa mantém convênio com diversas entidades de pesquisa, preocupando-se com avaliação e desenvolvimento, transferindo ao produtor segurança no manejo de novas variedades.





    Comentário Final
    O cultivo da soja avança sob passos largos através do território brasileiro há mais de 30 anos, exigindo constante adaptação frente aos massivos desafios inerentes a todos os desbravadores e pioneiros que buscam novas áreas para o seu cultivo. Por isto, histórias de sucesso como esta, assim como de muitos outros agricultores que buscaram o estado do Mato Grosso como opção na década de 1980 e, hoje se consolidam como grandes empreendedores, nos trazem conforto em saber que o suor é bem recompensado!
    Carlos Ernesto Augustin, da Petrovina Sementes, é reconhecido pelo arrojo em adotar tecnologias de ponta de forma pioneira, como as recentes de amostragem e avaliação independente e a oferta de sementes com mais de 90% de germinação e 80% de vigor. Também foi um dos primeiros a utilizar o processo de automação em partes da UBS, classificar sementes, ofertar sementes por número em vez de peso, a paletização, utilização de equipamentos de limpeza e classificação de última geração, tratamento industrial de sementes e esfriamento dinâmico e estático das sementes.
    Como vimos nesta entrevista, o ramo sementeiro segue desenvolvendo-se plenamente alinhado com a demanda por qualidade e alta tecnologia, recompensando a todos os profissionais ao longo do trajeto e principalmente o agricultor, pois tudo começa com o uso de uma semente de alta qualidade.


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