Esta seção da revista SEEDnews está sendo coordenada pela equipe da área de sementes da Universidade Federal de Pelotas, objetivando esclarecer as inúmeras dúvidas enviadas pelos leitores. Mande sua dúvida para redacao@seednews.inf.br


    “Tenho trabalhado com sementes de trigo por vários anos e estou acostumado a medir o peso volumétrico das sementes. Sei que há uma estreita relação do peso volumétrico com a qualidade do grão, entretanto gostaria de saber se também há uma estreita relação com a qualidade de sementes de trigo em especial?”

    O peso volumétrico de um lote de sementes é função da massa de cada semente individual por seu volume, como também do tamanho da semente. No caso de trigo, há um grande efeito da deterioração na massa da semente, ocasionando com isso uma estreita relação com sua qualidade fisiológica, ou seja, quanto menor o peso volumétrico, menor a qualidade fisiológica das sementes. Com outras espécies isto pode não ocorrer, como é o caso das sementes de soja. Nestas, as sementes pequenas apresentam um maior peso volumétrico,

porém sua qualidade fisiológica é igual às das grandes.



 

 

    “Na empresa em que trabalho sou responsável pela secagem de sementes de arroz. Por isso, gostaria que me explicassem por que as sementes aumentam ao redor de dois pontos percentuais em sua umidade após o término da secagem, ou seja, dou por finalizado a secagem de um lote de sementes de arroz quando atinge 11% de umidade e, duas horas após, constato que a umidade deste mesmo lote está com 13%.”

    Isto ocorre porque durante a secagem as sementes apresentam um gradiante de umidade que concentra mais intensidade no centro do que na periferia da semente e, como alguns tipos de determinadores de umidade, como do tipo Universal, são afetados pela umidade da periferia da semente, o percentual de umidade determinado é inferior ao verdadeiro. Para corrigir essa discrepância, há necessidade de se utilizar determinadores de umidade adequados ou tomar a amostra de sementes e esperar alguns minutos antes de efetuar a leitura da umidade, isso para que ocorra a homogeneização da umidade dentro de cada semente.

 

 

    “Nos últimos anos, tenho adotado o cultivo do milho safrinha, isto é, colho a soja e já planto o milho na mesma área, maximizando assim o uso da propriedade. Observo que junto com o milho há uma grande emergência de sementes de soja; assim, gostaria de saber porque isto ocorre, pois parece que as sementes apresentam dormência pós-colheita e essa emergência não deveria se verificar.”

    As sementes de soja não apresentam dormência do tipo pós-colheita e sim de sementes duras (aquelas que não embebem água). Nas variedades comerciais a percentagem de sementes duras raramente alcança mais de 3%. A ocorrência da emergência em grande quantidade das sementes de soja é explicada pela perda de colheita, que, em situação normal, gira ao redor de 2% da produção, ou 50kg/ha. Essa quantidade equivale a 35 sementes/m2, o que explica o tapete verde de soja junto com o milho.

 

 

    “Na programação da produção de sementes devemos considerar qual é a taxa de multiplicação de uma semente e a partir deste valor fazer os devidos ajustes. Neste sentido, gostaria de saber como proceder no caso das sementes de soja.”

    A programação da produção é essencial para o sucesso de qualquer empresa, pois produzir a mais significa vender parte como grão, e produzir a menos significa perder fatia de mercado. Especificamente no caso de soja, numa semeadura normal, pode-se considerar de 1:20, ou seja, uma semente produzirá 20 sementes comerciais. Pelos números, é facil de constatar que a perda é grande, pois uma planta de soja normalmente produz mais de 80 sementes. Esta perda é ocasionada por razões que vão desde a falha de emergência ( que não é 100%), à rejeição de campos de produção por chuva ou outro problema, perdas de beneficiamento como limpeza e classificação e qualidade fisiológica por problemas de baixa germinação.

 

 

    “Sei que produção de sementes tem-se tornado uma atividade cada vez mais profissional e para isso muitos ajustes foram necessários, entre eles está o pagamento de royalties ao obtentor de uma variedade e a taxa tecnológica ao dono de uma patente. Gostaria de saber como são realizados estes licenciamentos?”

    Em relação aos Royalties, o produtor de sementes obtém o licenciamento do obtentor da variedade mediante um contrato em que, entre outros itens, consta o percentual que deverá ser pago ao obtentor por cada lote de sementes vendido; há outras formas de pagamento, porém, não tão comuns. Quanto à Taxa Tecnológica, a licença deve ser obtida do dono da Patente - que no caso do Brasil tem-se por enquanto a soja RR, milho LL, algodão Bt, e arroz Clear Field. Para a produção de sementes há necessidade da obtenção de ambas as licenças, procedimento fácil numa relação normal entre as partes. Entretanto, em situações de desacordos, a licença pode ser negada e o agricultor não recebe materiais superiores protegidos por lei (já se tem alguns exemplos).

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