Esta seção da revista SEEDNews está sendo coordenada pela equipe da área de sementes da Universidade Federal de Pelotas.

 

    Escutei, em várias reuniões com colegas, que alguns estados do Brasil baixaram os padrões mínimos para comercialização das sementes. Por favor, poderiam explicar-me como essas decisões são tomadas?

    De fato, alguns estados já baixaram o padrão mínimo para a comercialização das sementes e outros estão em fase de avaliação. No caso de trigo, o problema foi com as chuvas que ocorreram no momento da colheita, fazendo com que o processo de germinação começasse com as sementes ainda na espiga. Assim, como muitos lotes de sementes ficaram abaixo dos 80% de germinação, houve necessidade de fazer-se correção de rumo no estander de qualidade. A informação da quantidade de sementes que tinham menos de 80% de germinação foi obtida junto aos laboratórios credenciados para fazer a análise das sementes.

 

    A matéria sobre certificação de sementes, publicada na SEEDnews do bimestre maio/junho foi bastante elucidativa, porém, gostaria de saber qual a possibilidade de que um mesmo grupo de pessoas pudesse fazer a certificação dos vários processos que no momento envolvem nossa agricultura.

    O processo de certificação de sementes já conta com mais de meio século em atividade, portanto com pessoal altamente qualificado. Os princípios de certificação nos distintos processos envolvidos atualmente na agricultura são praticamente os mesmos. Há vários países que há mais de uma década utilizam o mesmo pessoal para realizar a certificação de sementes e outros processos, e com isso economizam nos seus custos. Ter uma agência de certificação para cada processo encarece o produto.

 

    Há poucos anos, as sementes de soja não eram classificados por tamanho, e hoje praticamente toda semente colocada à venda é classificada. Neste sentido, pergunto até quando vamos esperar para que toda soja também seja colocada à venda já tratada?

    No Brasil, atualmente, mais de 85% das sementes de soja são tratadas, e quase a totalidade pelo próprio agricultor, momentos antes da semeadura. Essa situação está mudando aos poucos e acredita-se que quando mais produtores começarem a oferecer suas sementes já tratadas haverá um sensível aumento do tratamento na UBS do produtor de sementes, pois ninguém deseja ficar atrás. Pelos riscos do comércio de sementes de soja, dificilmente acontecerá que todas as sementes sejam ofertadas já tratadas.

 

    Em sementes de trigo, como podemos minimizar o problema de germinação na espiga, que afeta tanto a semente como o produto industrial?

    O melhor caminho é introduzir um caracter de dormência às sementes, pois, caso chova no momento da colheita, os danos serão minimizados.

 

    Escutei de meu avô que as sementes de hortaliças não podem ser secadas ao sol, pois perdem sua qualidade fisiológica. Quanto de verdade há nesta afirmativa?

    Também escutamos muito de que as sementes não podem ser secas ao sol. Entretanto, a história é outra: as sementes podem ser secas ao sol, desde que sejam movimentadas com certa freqüência. A secagem ao sol de uma semente com mais de 25% de umidade fará com que o processo seja rápido, minimizando, assim, a respiração das mesmas. Por outro lado, a secagem à sombra será lenta, colocando em risco a qualidade das sementes. A pesquisa com sementes de hortaliças foi por muitos anos desenvolvida quase que exclusivamente pela iniciativa privada, a qual não publica seus resultados. Atualmente, já há um bom acervo de pesquisa publicada.

    A recomendação de densidade de semeadura para arroz irrigado parece que está mudando. De 200kh/ha, baixou-se para 150, e constato que alguns materiais são recomendados para colocar apenas 70 kg/ha. Poderiam comentar a respeito?

Realmente, a semente de arroz irrigado começou a ser valorizada de tal forma que colocar no solo mais do que o necessário é perda de dinheiro e, em algumas vezes, também de produção, quando a população torna-se muito alta. Há diferenças genéticas na capacidade de perfilhar entre os materiais. Assim, de um que perfilha muito pode-se utilizar menos sementes, como é o caso de 70kg/ha. Salienta-se que quanto mais baixa é a densidade de semeadura, melhor deverá ser a distribuição das sementes, pois a compensação tem limites.

 


  

    Tenho escutado com frequência que sementes de brachiaria apresentam normalmente alta viabilidade. Por favor, explique a diferença entre viabilidade e germinação.

    O percentual de viabilidade é obtido pela soma das sementes que germinam, mais as que estão dormentes.

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