Mercados & Negócios

Edição V | 03 - Mai . 2001

Clovis Terra Wetzel - diretoria@seednews.inf.br

    Fusões/aquisições no mercado de defensivos agrícolas reduzem o número dos grandes competidores - Em 1999, dez dessas empresas detinham 80,8% do mercado de agroquímicos, no Brasil; em 2000, nove empresas tiveram uma participação de 85,9%.  A estimativa é de que, em 2001, oito empresas fiquem com  uma fatia ainda maior, de 87,7% [(sendo Syngenta, com 20% das vendas de defensivos; Aventis (15,7%); Basf (13,5%); Dow (8,8%); Monsanto (8,0%); Milenia (7,9%); Bayer (7%); e DuPont (6,8%)]. Nesta seqüência de acordos, as marcas ‘Zeneca’ e ‘Novartis’ e outras desapareceram do mercado.  Agora, já é manifestado o interesse da Bayer pela divisão agrícola da Aventis, cujo negócio, se confirmado, reduziria para sete o número das grandes competidoras no mercado brasileiro de defensivos agrícolas, que fatura US$ 2,55 bilhões/ano. Observe-se que estes movimentos de fusões/aquisições refletem-se no mercado de sementes, sendo que só  Basf e Bayer ainda não atuam neste segmento, no Brasil.

    A filosofia chilena na área de sementes - Chega-nos a informação da Dra.  Rosa Messina, Diretora do Departamento de Sementes do Ministério da Agricultura do Chile, de que lá a legislação reconhece, na prática e normalmente, duas categorias de sementes: a “Certificada” e a “Corriente” (comum).  A primeira, produzida e processada sob controle do organismo oficial, e a segunda, produzida livremente pelo setor privado, cuja autorização de venda é dada uma vez cumpridas as exigências legais de germinação, pureza física, sanidade e os requisitos de embalagem e identificação. 0 controle de qualidade (análise laboratorial) de ambas as categorias é realizado pelo Governo.  Somente sementes de cultivares inscritas na lista nacional podem ser comercializadas.  Entretanto, entre a semente certificada e a comum, pode existir uma terceira categoria, denominada “Controlada”, para o caso de que se queira elevar o uso de sementes de uma determinada espécie e/ou o seu padrão sanitário, o que na prática equivaleria à categoria de “sementes fiscalizadas” no Brasil, com um nível menor de exigência para ser produzida (ou, em outras palavras, a um custo mais baixo).  A fiscalização do comércio das sementes nacionais produzidas em quaisquer circunstâncias, e das importadas, é realizada eficientemente pelo Governo, garantindo assim a utilização de boas sementes, por parte dos agricultores chilenos (em contraste com o Brasil, que dá pouca importância à fiscalização desse comércio, que se reflete inclusive na proposta da nova lei de sementes). 

    O melhoramento milionário da soja - Anteriormente ao movimento de entrada de multinacionais no setor de sementes no Brasil, os recursos financeiros e humanos, bem como instalações, aplicados no melhoramento genético da soja, por parte de entidades governamentais, já era alto, comparativamente com os programas de outras culturas. Acrescentem-se agora os investimentos que estão sendo feitos pelas fundações privadas.  Por exemplo, a Fundação Meridional, com sede em Londrina/PR, em parceria com a Embrapa, formada por 61 produtores de sementes, está aplicando cerca de um milhão de reais, neste ano, para avaliar e testar cerca de 800 linhagens de soja nos estados do Paraná, São Paulo e Santa Catarina.  A Meridional representa uma força na produção de sementes, já que seus componentes estimam produzir 94% da produção de sementes de soja, dos três estados considerados, e quase 38% da produção nacional.

    A vez e hora das forrageiras - Empresas produtoras de sementes de forrageiras estão se articulando para criar um mecanismo de apoio à programação de Pesquisa&Desenvolvimento na área de forrageiras.  Sob a coordenação da Abrasem e associações estaduais filiadas, foram até agora identificadas 86 empresas interessadas em aderir à iniciativa.  Em reunião realizada em Brasília (abril), foi discutida a organização e a forma de atuação do grupo, através de comitês representantes dos estados envolvidos na questão (MS, MT, GO, MG, SP).  Os planos são de que, ainda em maio, as conversas com a Embrapa levem à concretização de um acordo inédito no segmento.  As novas ações voltadas para a criação de cultivares de gramíneas e leguminosas adaptadas à região tropical e adequadas a sistemas sustentáveis, dará suporte para fazer evoluir a indústria nacional de sementes de forrageiras, em benefício da pecuária brasileira. 

    A biotecnologia e o direito - As novas exigências da legislação brasileira que regulamenta a área de biotecnologia no país, bem como as penalidades impostas aos que não a cumprem, estão estimulando a criação de um segmento especializado, nos escritórios de advocacia, para atender à crescente demanda por consultoria e ações judiciais. 0 desenvolvimento de plantas geneticamente modificadas e a controvérsia estabelecida quanto ao uso de alimentos contendo elementos transgênicos requerem especialistas em tais assuntos, no âmbito do direito.  Segundo matéria da jornalista Carolina Mota, no jornal ‘Valor Econômico’, já são vários os escritórios que criaram áreas específicas para, neste particular, atender a demanda de um novo mercado, entre os quais são citados, o Pinheiro Neto Advogados; Machado Meyer Sendacz e Opice Advogados; Matos Veiga Filho, Marrey Jr., Moherdaui e Quiroga Advogados.  Nesta lista consta também o Escritório Zaclis e Luchesi Advogados, cujo sócio, o Dr. Celso Luchesi apresenta um artigo nesta edição da Seed News. 

    Temporada de lançamento de novas cultivares - A Embrapa lançou quatro cultivares BRS de soja (Flora, Nina, Pétala, Nova Savana) para os Cerrados; outras cultivares de soja e mandioca foram também lançadas para o estado de Tocantins; e um novo material de milho pipoca, adaptado para várias regiões tropicais, foi igualmente apresentado a agricultores mineiros - a BRS Angela.  Finalmente, a cultivar BRS Pojuca, gramínea nativa da região dPantanal que foi melhorada, está causando muito entusiasmo entre produtores de sementes e pecuaristas.  Em Tapaciguara/MG, foram lançados 28 materiais de milho, resultantes de pesquisa de empresas e entidades governamentais e três de soja da Universidade Federal de Viçosa/MG (UFVS 2001, 2002 e 2003).  Em Mato Grosso, a Fundação Mato Grosso apresentou aos agricultores as suas primeiras sete cultivares de soja, com a marca “MT” (Jaú, Mutum, Caiabi, Perdiz, Nambu, Sabiá, Saíra).  Por sua vez a Sakata (ex Agroflora) lançou um novo melão amarelo - cultivar ‘Trevo’ - para o Nordeste.  Por último, o Instituto Agronômico do Paraná (Iapar) desenvolveu algo inédito para o país, que é uma cultivar transgênica de laranja, resistente ao cancro cítrico, em condições de laboratório, que, entretanto, só vai estar disponível em 2005, estimam os técnicos. 

    O arroz continua perdendo produção - Em março último, a Conab divulgou sua terceira estimativa da safra 2000/2001, de pouco mais de 91 milhões de toneladas, quase 10% acima da obtida no ano passado, em 38,29 milhões de hectares. Observe-se que a decisão do plantio de soja está muito ligada à expectativa de preço no mercado internacional, tendo a perspectiva de um aumento de produção de 8%, nesta temporada.  Por seu turno, o plantio de milho (+20%, nesta safra) está quase sempre  associado aos preços internos e ao plantio da soja.  Das chamadas grandes culturas - com queda de produção prevista, de 8% em relação à safra 1999/2000 - a área de plantio de feijão é igualmente sensível aos preços praticados no mercado doméstico, e a produção, por sua vez, varia bastante com as condições climáticas predominantes nas grande zonas produtoras. Segundo os dados referidos, o algodão mantém a continuidade de crescimento das áreas plantadas nos últimos anos, com uma produção estimada em 19% a mais do que o ano anterior.  Entretanto, a análise de uma série histórica da produção de arroz, mostra uma clara tendência de queda, como estes a menos 6%.  Para trigo, a estimativa é de repetir a produção da safra passada, que, com os compromissos do país na importação do produto da Argentina, tornou-se um quebra-cabeça para os agricultores brasileiros decidirem as áreas a serem semeadas com o cereal. As culturas alternativas - de inverno e verão (aveia, cevada, mamona, sorgo), de menor valor econômico - têm no seu conjunto uma estimativa de crescimento da ordem de 13%, o que reflete a tendência observada ultimamente, de diversificação da agricultura, especialmente no sul do país.

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