Mercados & Negócios

Edição V | 06 - Nov . 2001

Clovis Terra Wetzel - diretoria@seednews.inf.br

    Livros

    I. “Histórico e impacto das pragas introduzidas no Brasil”- É o título do livro escrito por Evaldo Vilela e Fernando Cantor (UFV) e Roberto Zucchi (USP), publicado pelo Ministério da Agricultura.  Os autores identificam as referidas pragas que afetam a produção de frutas, hortaliças, café, algodão, sorgo e de madeira (essências florestais).

    II. Transporte e logística - Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) acabam de lançar dois livros sobre estas temáticas, relacionados com a abertura das fronteiras agrícolas no centro-oeste e no norte do País: “Transporte e logística em sistemas agroindustriais” e “Sistemas de gerenciamento de transportes”.  O primeiro aborda as principais relações existentes na logística; o segundo mostra as ferramentas de apoio para a tomada de decisões no setor que, sem dívida, representam idéias, conceitos e recomendações de importância fundamental para a consolidação da produção agrícola, de forma eficiente, naquelas regiões.


    Força e fraqueza da exportação de produtos da agropecuária 

    I. A Cacex (Secretaria do Comércio Exterior/MIC) acaba de anunciar os resultados consolidados das exportações brasileiras no período janeiro/julho de 2001, no valor total de US$ 7,236 bilhões, para sete produtos, com as seguintes contribuições relativas: soja, 43,54%; açúcar, 13,43%; café, 10,89%; frango, 10,47%; fumo, 7,99%; carne bovina, 7,15%; e suco de laranja, 6,51%.

    II. Vale salientar o peso da soja na exportação de produtos da agropecuária, relativamente, por exemplo, a café e açúcar, com mais de dois séculos na pauta.

    III. Registraram-se aumentos relativos ao ano anterior, de 32% no volume exportado e 19% nas receitas decorrentes, o que revela, na média, uma perda de divisas na ordem de 13% devido ao encolhimento dos preços internacionais, no período considerado, ou seja, mais de 900 milhões de dólares.

    IV. São os seguintes os itens que obtiveram aumentos de valor na exportação: óleo, farelo e soja-grão, 30, 23 e 21%, respectivamente; açúcar bruto e refinado, 107 e 101%, respectivamente; carne, in natura e industrializada, de frango, 119 e 68%, respectivamente; e café solúvel, 4%.

    V. Valores menores: suco de laranja, -29%; café em grão, -24%; e carne bovina industrializada, -10%.

    VI. Verifica-se que o complexo da soja obteve o melhor desempenho nas exportações, pelo seu maior valor e pelo crescimento observado em todos os seus itens; seguindo este critério, aparecem o açúcar e o frango, com as melhores performances, e que corresponderam, os três produtos, a 67% das divisas provenientes da exportação total.

    VII. Como se verifica, a pauta brasileira de exportação é pouco diversificada, concentrando-se em poucos produtos agropecuários.

    VIII. As matérias-primas exportadas totalizaram 4,752 bilhões de dólares, ou 66% do total, relativamente aos produtos processados (US$ 2,484 bilhões ou 34% do total).

    IX. Estes dados indicam que o Brasil continua sendo um exportador de matéria-prima, o que equivale a dizer: “continua passando ocupação de mão-deobra e arrecadação de impostos para os países importadores”.

    X. Contudo, o saldo da balança agrícola (valor das exportações menos valor das importações) cresceu 29% em 2001, relativamente a 2000, no período considerado, o que significa um bom desempenho do setor, apesar da depressão dos preços recebidos.

    Regulamentação e uso das manipulações genéticas 

    I. Bioética e biodireito - As recentes conquistas na área de biotecnologia lançam o Brasil no atual movimento de discussão sobre a bioética na pesquisa científica, onde se encontra a transgenia em plantas e a clonagem em seres humanos.  A bioética, que está relacionada com a questão comportamental, ao nível institucional ou empresarial, e do pesquisador, implica no estabelecimento de jurisprudência no âmbito do direito, o que está sendo referenciado como o biodireito.  As necessidades de discutir e disciplinar a bioética e o biodireito estão impulsionando as universidades a criarem cursos de especialização e disciplinas, em nível de mestrado e doutorado, sobre estes temas, tais como são os casos da Universidade de Brasília (UnB), Universidade de São Paulo (USP), Pontifícia Universidade Católica de São Paulo e da Universidade Estadual do Rio de Janeiro.  Atualmente, os cursos tradicionais de nutrição, medicina e direito são os mais demandadores de bioeticistas, ou especialistas em biodireito, nas áreas vegetal e humana.

    II. Código de bioética - Embora o termo bioética tenha sido definido por W. T. Reich, na Encyclopedia of Bioethics (1978), há 23 anos, o assunto tornou-se atual.  A bioética trata, segundo Reich, do “estudo sistemático das dimensões morais - decisões, conduta e políticas - das ciências da vida e saúde, utilizando uma variedade de metodologias éticas em um cenário interdisciplinar”.  Assim, no Brasil, a CTNBio (Comissão Técnica Nacional de Biossegurança), vinculada ao Ministério de Ciência e Tecnologia, está ouvindo diversos segmentos da sociedade, com vistas a obter subsídios para elaborar o Código Nacional de Ética, com o fim estabelecer princípios para a manipulação genética de vegetais, animais e seres humanos, com força jurídica.

    Soja - a produtividade é fundamental -  Com o subsídio dado pelo governo norte-americano aos seus produtores de soja, ao Brasil resta elevar a produtividade da oleaginosa, com a redução dos custos, para competir no mercado internacional.  Isto é especialmente crucial para as regiões produtoras afastadas dos portos e que vendem a soja em grão, como no caso do Mato Grosso.  E é isso que está acontecendo, especialmente por conta da utilização de cultivares mais produtivas, lançadas por entidades privadas, e públicas como a Embrapa, cujos materiais de plantio, inclusive obtidos em parceria, dominam atualmente o mercado brasileiro de sementes. Os dados do USDA (equivalente ao Ministério da Agricultura dos Estados Unidos), indicam que a média da produtividade da soja no Brasil estaria em 2.708 Kg/ha, nesta safra, 5% maior do que a projetada para os Estados Unidos.  Vale ressaltar a produtividade da soja em Mato Grosso, de 3.032 Kg/ha (mais 17% do que a média americana, de 2.594 Kg/ha). O avanço do Mato Grosso – campeão da produtividade e produção em grande escala – está sendo fundamental para o desempenho da cultura da soja, no Brasil.

    Bayer versus Aventis versus Roche - Após vários meses, o mercado recebe a notícia da concretização da propalada operação de compra da Aventis Seeds pela Bayer, por cerca de US$ 7 bilhões, segundo analistas.  O mercado de ações reagiu bem com a declaração, o que revela otimismo entre corretores e acionistas.  Num outro momento, a imprensa divulga a possível absorção do ramo de medicamentos da Bayer pelo Laboratório Farmacêutico Central da Roche, numa operação gigante, que os analistas estimam entre 15 a 27 bilhões de dólares.

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