A Semente

Edição XXII | 02 - Mar . 2018

Francisco Carlos Krzyzanowski - francisco.krzyzanowski@embrapa.br

    Agronomicamente, semente não é simplesmente um grão que germina. Ela tem em seu bojo a sua identidade, que é a pureza genética, a qual assegura todas as qualidades agronômicas da futura planta, a qual ela dará origem. A semente tem as qualidades fisiológica e sanitária, que são a tradução da sua saúde, do seu vigor, características estas tão importantes no estabelecimento uniforme e pontual da nova lavoura. A semente tem a sua qualidade física, que assegura aos seus usuários a integridade de não conter entre si impurezas físicas e sementes de ervas daninhas, que possam denegrir o seu desempenho no campo, pois esses componentes podem ser portadores de doenças e de plantas daninhas indesejáveis, os quais podem comprometer a produção da nova lavoura.

    Parafraseando o professor Chotaro Shimoya (Universidade Federal de Viçosa): “Semente é um estojo maravilhoso em cujo seio se encerra a futura planta.”

    Botanicamente, semente é o óvulo desenvolvido após a fecundação, que contém embrião, reservas nutritivas e tegumento. Ela representa um meio de sobrevivência das espécies vegetais, uma vez que resiste às condições adversas de dessecação, que seriam fatais às plantas dessas espécies, podendo, portanto, se desenvolver e originar uma nova planta. Ela representa uma forma eficiente de sobrevivência e de reprodução das diversas espécies vegetais através do tempo e do espaço, utilizada pela natureza e pelo homem para distribuir os melhoramentos genéticos às sucessivas gerações.

    Conceitos de Qualidade de Sementes: Maiores germinação e vigor, Melhor sanidade, Garantia de maiores purezas física e varietal, Livre de sementes de invasoras.

    Com todos esses atributos, ela traz em seu bojo uma série de benefícios que contribuem para o sucesso da lavoura.

    A semente tem uma particularidade muito especial por ser a mensageira da mudança no ambiente de cultivo. A semente foi a base da organização social nos primórdios da humanidade. 


    Voltando um pouco no tempo, alguns paleontólogos consideram que os primeiros hominídeos apareceram há cerca de um milhão de anos nas regiões Norte e Leste da África Equatorial.  Desde então, e até cerca de 10 a 12 mil anos atrás, pode-se considerar que o homem evoluiu muito pouco, ocorrendo apenas pequenos progressos em seus aspectos culturais, criando ferramentas, desenvolvendo técnicas de caça e de sobrevivência.

    Porém, há cerca de 10 a 12 mil anos atrás, nas regiões da Ásia das Monções (Sul e Sudeste Asiático) e no Oriente Médio, o homem, que até então vivia de maneira nômade e subsistia da caça e do extrativismo, descobriu que as sementes das plantas silvestres que ele coletava para alimento, ao caírem no solo, e encontrando condições de água e de temperatura adequadas, germinavam e produziam novas plantas, que podiam ser nutridas e reproduzidas novamente. É provável que essa descoberta tenha sido acidental. O comportamento do homem pôde então ser radicalmente modificado, fixando-se em locais desejados, cultivando seus alimentos e formando as primeiras comunidades. Portanto, a constatação da relação semente-planta-sementes teve um papel fundamental no desenvolvimento da agricultura e na história da civilização.

    A semente representa um meio de sobrevivência das espécies vegetais, uma vez que resiste às condições adversas de dessecação, que seriam fatais às plantas dessas espécies, podendo, portanto, se desenvolver e originar uma nova planta. Ela representa uma forma eficiente de sobrevivência e de reprodução das diversas espécies vegetais através do tempo e do espaço, utilizada pela natureza e pelo homem para distribuir os melhoramentos genéticos às sucessivas gerações.

    Trabalhar com sementes é ter conosco uma sensação de domínio de tempo, pois, como bem disse o professor Julio Marcos Filho (ESALQ/USP), “as sementes representam a conexão entre o passado e o futuro. Contêm a experiência genética acumulada no passado e o potencial para a perpetuação no futuro.”

    Além  disso, a  semente  apresenta grande importância econômica como alimento, pois corresponde a 60% a 70% dos alimentos consumidos mundialmente, sendo transformadas pela agroindústria em uma variedade de produtos.

    O homem que trabalha com semente tem a nobre missão de contribuir para a sobrevivência da espécie, quer seja vegetal, quer seja humana. Produzir sementes é trabalhar com a vida. A vida presente no ato da sua multiplicação, a vida futura na segurança da alimentação da humanidade.


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